O preço da cesta básica de alimentos consumidos pelo trabalhador brasileiro acumula alta de até 29,24% no primeiro semestre do ano. Nos últimos 12 meses, os aumentos chegam a até 51,85%, revela pesquisa divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Em junho, o custo médio dos 13 gêneros alimentícios considerados de primeira necessidade subiu em 14 das 16 capitais pesquisadas pela entidade.

"A escalada dos preços da comida em doze meses foi uma desgraceira só, algo que não se via com tamanha intensidade há muito tempo no País", disse o economista José Maurício Soares, coordenador da pesquisa do Dieese.

Para se ter uma idéia do estrago que isso causou no bolso do brasileiro, o economista citou que, nos últimos 12 meses, os aumentos nos preços da cesta básica observados em todas as capitais pesquisadas superaram de longe o reajuste do valor do salário mínimo, que foi de 9,21% no período. Porto Alegre tem a cesta básica mais cara entre as pesquisada ( R$ 246,72).

Entre as 16 capitais, a maior alta acumulada no semestre, de 29,24%, foi verificada no Recife e a menor, em Belém (10,47%). Em12 meses, Natal foi a capital que apresentou o maior aumento (51,85%).

Com exceção de Porto Alegre, todas as demais cidades acumularam elevações superiores a 30% nos últimos 12 meses. São Paulo exibiu a segunda menor variação (30,83%), enquanto João Pessoa acumulou o segundo maior aumento (45,02%). Na capital gaúcha, os preços subiram em média 27,4%.

Maurício Soares ressaltou que, em 12 meses, sete produtos acumularam altas em todas as capitais analisadas: arroz, feijão, carne, leite, tomate, pão e óleo de soja.

O feijão, que voltou a ter alta mensal, após recuo em maio, apresentou as taxas mais elevadas, todas acima de 100%. A menos acentuada foi em São Paulo (103,34%) e a maior, em Natal (184,80%).

"A quebra da segunda safrinha do feijão reduziu os estoques e, por efeito da seca prolongada, o plantio do produto foi atrasado em dois meses", explicou o economista.

Segundo ele, os adubos e fertilizantes, que são derivados de petróleo, cujos preços estão em alta no mercado global, têm encarecido o custo da produção de grãos em geral.

Os vilões da cesta básica no mês passado foram o arroz, o feijão, a carne e a batata, que subiram em praticamente todas as capitais. "Esses são os alimentos que compõem o prato comum da maioria dos brasileiros", observou o economista.

A exemplo do que acontece em boa parte do mundo, o arroz subiu em todas as capitais, com aumentos que variaram de 0,56% (Belém) a 45,40% (Aracaju). "Os preços estão em alta devido a problemas climáticos e também à escassez do produto na Ásia, causadas pelas tempestades e inundações de várias áreas produtoras.

Os preços da carne bovina - que está em entressafra e com exportações novamente em grandes volumes, já que os países da comunidade européia liberaram a entrada do produto brasileiro -, tiveram aumento em 15 capitais. O maior, de 14,99%, foi em Goiânia. A única redução nos preços da carne ocorreu em Fortaleza (-1,99%).

Sob influência da decisão do governo argentino de proibir as exportações de trigo, o pão teve aumento de preços em dez cidades, como Belém e João Pessoa, onde as altas foram de 6,38% e 3,62%, respectivamente. Já a batata encareceu em todas as nove capitais do Centro-Oeste, onde os preços do produto são pesquisados. A maior taxa foi a de Brasília (29,25%).

Em São Paulo, o custo da cesta básica da alimentação subiu 4,84% em relação a maio. A cidade é a segunda mais cara entre as pesquisadas.

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