SÃO PAULO - A cesta básica ficou mais cara em todas as 16 capitais pesquisadas em 2008 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A cesta que mais subiu, em João Pessoa, ficou 29,31% mais cara no ano.

A variação mais modesta de 2008, registrada em Belém, foi de 4,76% no mesmo período.

A cesta mais cara ao final de dezembro foi a de Porto Alegre, de R$ 254,86, que subiu 19,70% no ano e avançou 6,64% só em dezembro, mês em que foram pesquisadas 17 cidades pelo Dieese. O custo mais baixo para o conjunto de itens básicos foi encontrado em Recife, onde a cesta fechou 2008 custando R$ 183,61 (+18,15% no ano).

Na capital paulista, a cesta avançou 11,58% no ano e 0,35% no mês de dezembro, encerrando o ano a R$ 239,49, valor muito próximo ao da cesta do Rio de Janeiro, de R$ 239,78, que teve alta de 23,31% no ano.

O tomate, cuja variação de preço foi forte ao longo do ano e tem peso importante na cesta, voltou a pressionar a alta de dezembro. Sensível a clima e a variações de preço de fertilizantes, o produto chegou a subir 167,84% em João Pessoa no mês passado, onde a alta no ano chegou a 282,72%.

Na ponta de queda, o feijão transformou-se de vilão no começo do ano a herói no mês final de 2008, pois registrou recuo de preços em todas as capitais brasileiras pesquisadas pelo Dieese, com destaque para a baixa de 35,37% verificada em Recife. Já o leite também teve impacto de alta nas cestas de 10 cidades entre novembro e dezembro, afetando também 11 cidades pesquisadas quando o preço do produto é comparado ao de dezembro de 2007.

Também vale menção o recuo do preço do óleo de soja, que ficou menor em 15 capitais no mês de dezembro, embora na comparação com dezembro de 2007 tenha havido alta no custo do produto em dez capitais. O arroz, que subiu muito ao longo do ano, declinou em 11 capitais no último mês, mas também fechou dezembro mais caro em 16 capitais quando o preço é comparado com o mesmo mês de 2007.

Em dezembro, o tempo de trabalho necessário para a compra dos itens básicos de alimentação avançou na comparação com o mês de novembro e também perante o último mês de 2007.

No mês passado, na média das 17 capitais (incluindo Manaus, que não tem dados para dezembro de 2007), o trabalhador que ganhava salário mínimo precisou cumprir uma jornada de 115 horas e 44 minutos para adquirir os produtos que compõem a cesta. Em novembro, o tempo médio necessário era de 111 horas e 04 minutos e em dezembro de 2007 a jornada estimada necessária era de 106 horas e 36 minutos, quase dez minutos a menos.

Também aumentou significativamente o valor do salário médio considerado ideal para suprir as despesas do trabalhador com alimentação, moradia, saúde e educação, além de vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

O ganho médio necessário, que em dezembro do ano passado era de R$ 1.803,11, ou 4,75 vezes o mínimo oficial de R$ 380, passou a ser de R$ 2.141,08, o que equivale a um valor de 5,16 vezes o salário mínimo de R$ 415. Em novembro o ganho médio necessário era de R$ 2.007,84, ou 4,83 vezes o salário de R$ 415.

(Valor Online)

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