Preços recuaram em junho, mas alta no semestre foi generalizada; São Paulo tem a cesta mais cara do País, diz Dieese

Embora tenha recuado na maioria das capitais no mês de junho, o preço da cesta básica no Brasil fechou o primeiro semestre em alta. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconomicos (Dieese), a cesta básica ficou mais cara nas 17 capitais pesquisadas entre janeiro e junho de 2010.

“As maiores variações foram registradas em Recife (21,88%), Goiânia (16,88%), Natal (13,80%), além de João Pessoa e Salvador, com 13,66% e 13,49%, respectivamente”, informou o Diesse.

No mês de junho, no entanto, os preços caíram em 16 cidades. Em nove, a queda foi superior aos 3%. As maiores reduções ocorreram em Manaus (-5,14%), Rio de Janeiro
(-5,08%) e Vitória (-4,83%).

“A única capital onde a cesta básica registrou aumento de preços foi Goiânia (alta de 5,22%), onde o preço do feijão explica a maior parte desta variação”, disse o levantamento.

A cesta básica mais cara do mês foi a da cidade de São Paulo, que custou R$ 249,06. Em seguida, aparecem Porto Alegre (R$ 248,15) e Manaus (236,57). Na outra ponta da tabela, estão Fortaleza (R$ 181,92), Aracaju (R$ 184,17) e João Pessoa (R$ 193,94).

Preços

A batata respondeu pela maior parcela de queda na cesta básica de junho. Ela foi o produto que teve a maior baixa, caindo nas nove cidades onde é pesquisada. “A variação no preço ficou entre -20,61% (São Paulo) e -9,83% (Curitiba)”, disse o Dieese.

O tomate, que é pesquisado em todas as localidades, também teve grande influência, embora em menor
medida, repetindo movimento observado no mês anterior. O produto apresentou queda em 15 cidades.

Já a carne, que tem grande peso na cesta básica, subiu em oito cidades: a maior alta foi em Goiânia (7,57%) e maior baixa em Natal (-3,85%).

“O arroz registrou alta forte em Brasília (16,42%) e depois em Goiânia (4,92%). Entretanto, em 11 cidades a variação esteve entre + 0,55% e – 1,88%, o que mostra relativa estabilidade nos preços do produto”, completou o Diesse.

O feijão, por sua vez, subiu em 10 cidades, com destaque para Goiânia, Aracaju e Natal, com altas de 35,87%, 29,94% e 8,27%, respectivamente.

Salário ideal

Com base nos dados da cesta básica de São Paulo – a mais cara do País – o Dieese calculou o salário mínimo ideal para que o trabalhador tenha atendidas todas as exigências da Constituição. O preço do “mínimo ideal” em junho foi de R$ 2.092,36, que correspondem a 4,1 vezes o mínimo de R$ 510 em vigor atualmente.

“Em maio, o piso mínimo era estimado em R$ 2.157,88 (4,23 vezes o menor salário legal), enquanto em junho do ano passado correspondia a R$ 2.046,99, ou seja, 4,4 vezes valor então vigente (R$ 465).”

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