SÃO PAULO - Após vários meses de alta, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) registrou queda no preço da cesta básica em 15 das 16 capitais brasileiras pesquisadas em seu levantamento mensal feito em agosto. Segundo o estudo, todos os itens acompanhados que compõem a cesta básica apresentaram estabilidade ou retração de preços na maioria das capitais pesquisadas.

A única capital analisada que teve alta no preço da cesta foi Goiânia, onde o conjunto de itens básicos aumentou 1,15% em agosto. Em quatro capitais a baixa superou os 10%, caso de Recife, onde a retração foi de 10,77%, de Natal (-10,73% ), Fortaleza (-10,59%) e Rio de Janeiro (-10,56%). As baixas mais modestas foram anotadas em Belém (-2,27%) e Brasília (-3,18%).

A cesta mais cara continua pertencendo à cidade de Porto Alegre, onde o conjunto de itens caiu 6,99% no mês passado, mas ainda está valendo R$ 241,16. O valor é bem próximo da cesta de São Paulo, de R$ 241,15. O conjunto mais barato de itens básicos pertence a Recife, onde a cesta fechou o mês custando 176,09.

Apesar da redução no mês, no acumulado dos primeiros oito meses deste ano a maioria das capitais (12) ainda tem inflação de dois dígitos, com variações de 16,22% a 32,59% no acumulado de 12 meses findos em agosto.

Ainda que todos os itens da cesta tenham apontado acomodação ou declínio na maioria das capitais, alguns merecem destaque. É o caso do tomate e do óleo de soja, que caíram em todas as cidades pesquisadas no mês passado, embora ainda apresentem variações de alta elevadas no acumulado de 12 meses.

Também vale menção a inversão de tendência dos preços da carne, que caíram em 11 capitais no mês de agosto. Aracaju teve a baixa mais significativa, de 7,33% e, dentre as cinco cidades que apontaram alta, a maior foi em Goiânia, de 6,23%.

O feijão, outro vilão da inflação, apontou queda de preços em 15 cidades, especialmente em Recife (-17,07%). Apenas em Brasília foi detectada alta (2,60%). O Dieese chama atenção, no entanto, para o fato de o produto estar ainda muito caro em relação a agosto do ano passado. Em Salvador, por exemplo, o preço do feijão está 154,30% acima do valor apurado um ano antes.

Ao contrário dos últimos meses, em agosto houve redução no tempo de trabalho necessário para a compra dos itens básicos de alimentação. No mês passado, na média das 16 capitais, o trabalhador que ganhava salário mínimo precisou cumprir uma jornada de 110 horas e 12 minutos para adquirir os produtos que compõem a cesta . Em julho, o tempo médio necessário era de 117 horas e 08 minutos.

Também caiu significativamente o valor do salário médio considerado ideal para suprir as despesas do trabalhador com alimentação, moradia, saúde e educação, além de vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. O ganho médio necessário, que em junho era de 2.178,30, ou 5,25 vezes o mínimo oficial de R$ 415, passou a ser de R$ 2.025,99, o que equivale a um valor de 4,88 vezes o salário mínimo.

(Valor Online)

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