Produtividade e tamanho das reservas influenciam na definição dos preços do barril, que tiveram variação de até 55%

O contrato de cessão onerosa que abre caminho para a capitalização da Petrobras expõe diferentes "pré-sais" na promissora região da Bacia de Santos. A diferença de preço entre o petróleo do campo de Franco, o mais valorizado na negociação entre Petrobras e União, e o de Iara, o menos valioso do acordo, supera 55%. A cessão onerosa que definiu o valor médio do barril em US$ 8,51 considera a possibilidade de exploração de petróleo da União pela Petrobras em sete diferentes campos do pré-sal da bacia de Santos.

O barril de óleo do campo de Franco, explorado em caráter excepcional pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), especialmente para a cessão onerosa, foi cotado a US$ 9,04. O campo será responsável pela maior parte do petróleo da União que será apropriado pela Petrobras, com 3,058 bilhões de barris, do total de 4,9 bilhões de barris da operação. Já o barril de óleo de Iara poderá ser explorado por US$ 5,82. O contrato prevê a exploração de cerca de 600 milhões de barris deste campo.

Fontes que acompanham o processo explicam que, embora estejam na mesma região, no chamado "cluster" da Bacia de Santos, os blocos possuem diferenças na estrutura geológica que tornam uns mais produtivos que outros. Franco teria uma produtividade superior a de Iara, com custo de produção até duas vezes menor dependendo da localização do poço. Trabalhos de sísmica foram considerados para respaldar os relatórios que basearam os diferentes preços do petróleo.

O tamanho das reservas também contou na avaliação. Estimativas preliminares da ANP apontaram reservas de 4,5 bilhões de barris em Franco, mas o limite de 3 bilhões colocados na cessão onerosa suscitou dúvidas no mercado quanto ao tamanho real da província. Iara possui reservas estimadas pela Petrobras de 3 bilhões a 4 bilhões de barris.

Áreas contíguas

Planalto, Petrobras e ANP também incluíram áreas contíguas a Tupi e Guará na cessão onerosa. Assim como no caso de Iara, estas áreas podem ser exploradas a partir das concessões que a Petrobras já possui em seu portfólio. São blocos onde o petróleo vai além, "vazam" da concessão da Petrobras para áreas que ainda não foram licitadas e pertencem, portanto, à União.

O barril em Tupi Nordeste vale, segundo o contrato, US$ 8,54, enquanto em Tupi Sul, US$ 7,85. Já foram perfurados de 6 a 7 poços na província de Tupi e os esforços da estatal são para chegar a 10 ainda neste ano. A ideia do governo é passar para a Petrobras cerca de 555 milhões de barris destes prospectos em reservas não licitadas. As reservas em Tupi variam de 5 bilhões a 8 bilhões de barris.

O barril de petróleo de Guará foi cotado a US$ 7,94 no contrato da cessão onerosa. As reservas da estimativas pela Petrobras indicam em sua concessão a existência de 1,1 bilhão a 2 bilhões de barris. Do lado da União, a Petrobras poderá explorar ali mais 319 milhões de barris.

Dois prospectos pouco conhecidos entre especialistas, Florim e Peroba também constam da cessão onerosa. Vizinho de Franco, Florim é a segundo área mais valorizada do acordo, US$ 9,01 cada barril. Desta área, a Petrobras poderá tomar 466 milhões de barris. Peroba não tem quantidade definida para a cessão e só será utilizada se as reservas dos outros campos escolhidos para compor a cessão onerosa forem insuficientes para fazer frente às estimativas.

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