Pelo menos 1,6% do cerrado brasileiro foi desmatado no período de 2003 a 2007, o equivalente a 18.900 km² ou 12 vezes a área do município de São Paulo.

A estimativa foi feita pelo Sistema Integrado de Alerta de Desmatamentos (Siad), desenvolvido pelo Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento da Universidade Federal de Goiás (Lapig-UFG).

Para Laerte Guimarães, coordenador do Lapig, o cerrado corre mais riscos do que a floresta amazônica. "Desde a década de 70, foram destruídos de 40% a 45% do bioma", afirma o pesquisador. "Tornou-se a principal fronteira para a expansão da agropecuária." Guimarães considera prematuro encarar a diminuição no ritmo do desmatamento como uma vitória: "Tudo depende de como conduziremos a expansão das lavouras para biocombustíveis." Ele aponta que há espaço para plantar cana em áreas de pastagens degradadas, sem necessidade de avançar sobre remanescentes de cerrado.

Foi assinado ontem, na UFG, um protocolo de intenções para que o Siad seja utilizado no monitoramento sistemático do cerrado brasileiro. Será algo semelhante aos sistemas análogos já utilizados na Amazônia.

Foram signatários do documento, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da UFG e das organizações não-governamentais The Nature Conservancy (TNC) e Conservação Internacional (CI).

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.