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Cerca de 600 mil vagas cortadas em dezembro

Dezembro deverá se confirmar como um desastre histórico para o mercado de trabalho. O Brasil poderá ter perdido cerca de 600 mil vagas, o dobro do que normalmente é registrado pelo Ministério do Trabalho nessa época do ano, quando muitos temporários são dispensados.

Agência Estado |

Os dados serão divulgados oficialmente nos próximos dias pelo ministro da pasta, Carlos Lupi, que por ora não confirma o fraco desempenho da economia.

Fontes com acesso a Lupi chegaram a estimar que os cortes teriam chegado à casa de 600 mil vagas em dezembro, apenas levando em conta os dados do Cadastro Geral de Empregados e Demitidos (Caged). Em dezembro de 2007, o Caged, que compila os dados sobre o mercado formal de trabalho, registrou o fechamento de 319,4 mil vagas, desempenho muito semelhante ao de igual mês de 2006. No governo Lula, o pior dezembro até agora foi o de 2004, com fechamento de 352,1 mil vagas.

Reportagem publicada ontem pelo Estado mostrou que, pressionada por estoques elevados e queda nas vendas, quase um terço da indústria brasileira pretende reduzir o número de empregados até fevereiro. A estimativa foi feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Além do corte de postos de trabalho, o País enfrenta outro problema, o número crescente de anúncios de férias coletivas. Atualmente o total de empregados nessa situação passam de 150 mil. Eles estão ligados a empresas dos setores de siderurgia, mineração, autopeças, metalurgia, papel de celulose e agroindústria, entre outros.


A reação do mercado de trabalho diante da crise internacional é também a grande preocupação do governo. Não à toa, já foram anunciadas medidas para desonerar o setor automotivo - um dos mais atingidos pelo momento delicado da economia e cuja cadeia produtiva é altamente geradora de empregos - e estimular o consumo, como a redução do Imposto de Renda para Pessoa Física (IRPF).

Na mira da equipe econômica agora está o setor de construção civil, um dos mais intensivos em mão-de-obra que também sofre o impacto da retração de crédito provocada pela crise. No pacote habitacional em gestação, o governo discute medidas como a desoneração de material de construção popular e a elevação do valor de financiamento da casa própria com utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de ampliação da oferta de financiamentos.

No caso das desonerações, o espaço do governo está limitado pelo impacto negativo da desaceleração da atividade econômica na arrecadação federal.

Já em relação ao FGTS, há um relativo consenso dentro do governo sobre a necessidade de se elevar o valor do imóvel que poderá ser adquirido com os recursos do Fundo, mas a cifra ainda não está fechada. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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