Belo Horizonte, 31 - A trajetória de queda nos preços do leite, que vem sendo observada desde o mês de julho, se manteve em outubro, de acordo com o levantamento realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/ESALQ-USP). No mês passado, porém, a combinação entre a retração nas cotações e o aumento dos custos de produção levou a uma diminuição no ritmo de crescimento da oferta.

Tradicionalmente, o segundo semestre do ano costuma apresentar um volume maior na produção, mas de acordo com o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L), o total de leite recebido pelas empresas em setembro foi somente 1,25% superior ao de agosto e, desta forma, o Índice de setembro deste ano foi menor que o do mesmo mês do ano passado. Tal fato não ocorria desde abril de 2007.

De agosto para setembro, o menor aumento ocorreu no Rio Grande do Sul, de apenas 0,77%, e o maior, de 2,01%, em Goiás. No mesmo período de 2007, os gaúchos chegaram a apresentar aumento de quase 10%, e os goianos, de pouco mais de 8%. Nem mesmo em 2006, ano de preços estáveis em patamares considerados baixos, o volume de leite cresceu tão pouco. No acumulado de maio a setembro deste ano, o aumento foi de apenas 3,9%; no mesmo período de 2007, foi de 32% e de 2006, 15%.

Desde julho, quando os preços começaram a cair, a média ponderada nacional (RS, SC, PR, SP, MG, GO e BA) já perdeu 15 centavos por litro. Conforme o Cepea, em outubro, o preço médio bruto foi de R$ 0,6096/litro. Em junho, último mês de preços em alta, a média era R$ 0,7633/litro. Segundo o levantamento, o preço médio do leite pago ao produtor em outubro (referente ao leite entregue em setembro) caiu 7,3% ou 4,8 centavos por litro, em relação ao pagamento de setembro.

A menor retração, de 0,75%, ocorreu na Bahia, com o litro a R$ 0,6142; em situação oposta, esteve Santa Catarina, onde a retração chegou a 12%, com o preço médio a R$ 0,5156/litro, sem o desconto do frete e dos impostos. São Paulo, que até setembro apresentava quedas menores que os de Minas e Goiás, registraram um recuo de 6,8 centavos no preço do litro de leite, para R$ 0,6495/litro (bruto). Minas e Goiás apresentaram pouca variação de preços em outubro. Para os produtores mineiros, a queda por litro foi de pouco mais de 3 centavos e, para os goianos, pouco acima de 4 centavos, com as médias, respectivamente, a R$ 6314 e R$ 0,6293/litro (bruto).

Novembro

A pesquisa realizada pelo Centro com agentes de mercado para verificar as perspectivas para o próximo mês apontou a possibilidade de reversão da tendência de queda. Cerca de metade dos representantes de laticínios e cooperativas ouvidos pelo Cepea acreditam em manutenção dos atuais valores para o pagamento de novembro. A outra metade, no entanto, continua sinalizando mais um mês de queda. No Sul, 77,4% dos compradores consultados prevêem estabilidade dos preços, enquanto que para Minas, São Paulo e Goiás esta estimativa é compartilhada por 32% dos compradores.

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