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Cepal prevê fim da bonança na América Latina em 2009

O ciclo de bonança chegou a seu fim na América Latina, afirmou nesta quinta-feira a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), que prevê o menor crescimento regional dos últimos seis anos para 2009, com expansão de apenas 1,9%, sem descartar a possibilidade de um cenário pior devido à crise financeira mundial.

AFP |

Depois de seis anos de forte crescimento, a região avançará no próximo ano menos da metade do que cresceu em 2008, quando registrou 4,6%, graças ainda às condições favoráveis do mercado de matérias-primas.

"Estamos diante do final de um período com escassos precedentes na história da região", afirmou a Cepal em seu "Balanço Preliminar das Economias da América Latina e o Caribe 2008', apresentado nesta quinta-feira em Santiago, sede do organismo ligado às Nações Unidas.

O ciclo de bonança dos últimos anos foi acompanhado de uma melhora dos indicadores do mercado de trabalho e uma diminuição da pobreza na região, que devem voltar a cair a partir de 2009.

Para o próximo ano, a Cepal previu um aumento da taxa de desemprego de 7,5% em 2008 para entre 7,8% e 8,1%, com uma expansão do mercado informal. Com isso, a pobreza deve atingir mais de 182 milhões de pessoas.

A região, assim como o resto do mundo, sentirá no próximo ano os efeitos da crise financeira internacional, com dimensão ainda imprevisível, de acordo com a Cepal.

"A profundidade e a duração da recessão dependerão da eficácia das medidas de estímulo da demanda adotadas para compensar a queda do gasto privado, assim como da volta à normalidade dos mercados de crédito", advertiu o documento.

As medidas adotadas pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) e os bancos centrais de outros países devem permitir que as economias industrializadas superem a etapa mais profunda a partir do segundo semestre de 2009, mas nada é certo, segundo a Cepal.

"Por isso, não se pode descartar um cenário mais pessimista, com continuidade e intensificação da recessão e o prolongamento da restrição do crédito", indicou o organismo internacional.

Neste cenário, a região deve crescer menos de 1,9%.

A crise afetará a América Latina por uma esperada redução do volume e o preço de suas exportações, como conseqüência da queda na cotação das matérias-primas, o motor do crescimento regional.

Espera-se ainda uma queda das remessas enviadas por seus trabalhadores emigrantes, fundamental para a maioria das economias do Caribe, da América Central e México, e uma queda do investimento estrangeiro direto e da demanda de serviços de turismo.

Os países latino-americanos enfrentarão ainda maiores dificuldades de acesso e um maior custo do financiamento externo.

Entre as poucas conseqüências positivas da crise está a redução dos níveis de inflação, que ao subir muito afetou a maioria dos países da região em 2008. O indicador deve cair de 8,5% para 6% em 2009.

A Cepal recomenda que os países da região adotem "soluções coordenadas" para enfrentar a crise, principalmente com medidas para incentivar o consumo e estimular o comércio e a integração regional.

Em 2009, todos os países da região registrarão quedas em seu produto, com maior profundidade no caso da Argentina, que passará de uma expansão de 6,8% em 2008 para um crescimento de 2,6% no próximo ano. O Uruguai, que este ano lidera o crescimento regional, com 11,4%, mas que crescerá apenas 4% em 2009.

O Peru, com expansão calculada em 5% para este ano, será o país que mais crescerá em 2009, seguido de Nicarágua (4,5%), República Dominicana (4%) e Venezuela e Bolívia, com 3%. O restante dos países latino-americanos registrará crescimentos entre 2,6% e 1%, salvo o México que deve ter o pior resultado, com somente 0,5%.

pa/lm/sd

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