O tempo que um CEO demitido leva para voltar ao mercado de trabalho dobrou depois da crise econômica global. Se antes o reposicionamento desse tipo de executivo levava em média seis meses, agora, o processo dura cerca de um ano, segundo as consultorias especializadas em seleção de altos executivos Fesa e Hay Group.

"Depois da crise, o que a gente está assistindo é a uma maior cautela das empresas na seleção e recrutamento, o que torna o processo mais longo", afirma Fernando Lohmann, sócio da Fesa. O diretor do Hay Group, Alexandre Fialho, também considera que o tempo de espera para os CEOs se alongou."Em geral, os executivos que estão saindo do mercado nesse movimento (de dança das cadeiras provocado pela crise) estão tendo alguma dificuldade para voltar", diz.

Para ele, o problema é que os executivos demitidos na crise têm perfis muito focados. E, por mais que a situação econômica do País tenha melhorado, as necessidades corporativas mudaram. "O mercado atual está preferindo alguém mais equilibrado a alguém muito bom em um extremo."
As vagas que surgiram com as demissões movimentaram pouco o mercado. Em grande parte foram preenchidas por sucessores dentro das próprias companhias. "As empresas estão evitando trazer lideranças do topo de fora. Muitas trabalham com a premissa de formar seus líderes internamente", explica Fialho. "Principalmente as companhias bem-sucedidas têm uma cultura organizacional que não querem destruir."
Além disso, os executivos brasileiros enfrentam a concorrência externa. Segundo Fialho, há muita gente de fora preenchendo as vagas abertas no País. São estrangeiros trazidos pelas multinacionais. "Como a crise lá fora está grande, está sobrando profissional. E estão vindo muitos expatriados." Um atrativo tem sido os salários, que se valorizaram no País.

CAMINHOS
Abrir o foco pode ser uma boa estratégia para os CEOs desempregados se recolocarem, pois o perfil das oportunidades mudou. Quem só olha para empresas grandes pode demorar mais para voltar a trabalhar. "Os CEOs não estão se recolocando em empresas do mesmo porte que saíram", diz o diretor do Hay Group. Grande parte das vagas tem surgido fora dos grandes grupos. "As empresas médias e familiares estão se profissionalizando. É uma tendência. E as ofertas feitas por elas estão mais atrativas."
O novo CEO da Miolo Wine Group, Marcelo Toledo, foi atraído por uma empresa familiar. Ele não chegou a ser vítima da crise, mas o convite foi sedutor a ponto de ele deixar a espanhola Puig para presidir um grupo que nunca havia antes contratado um CEO. "A Miolo foi a primeira vinícola brasileira a tomar decisão de se equipar com um presidente. Isso demonstra o quanto está se preparando para crescer", diz.

Mas o cenário para os CEOs deve melhorar em breve. "Antes da crise, o mercado estava superaquecido e enfrentava o problema de falta de talentos. Mas se nós continuarmos com as perspectivas de crescimento que temos, já em 2011 voltamos ao mesmo problema", prevê Lohmann, da Fesa.

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