Já foi o tempo que criar e matar jacaré no Pantanal era bicho de sete cabeças. Hoje a atividade é regulamentada pelo Ibama e, além de ajudar na manutenção da espécie, garante um dinheirinho extra para dezenas de ribeirinhos.

Já foi o tempo que criar e matar jacaré no Pantanal era bicho de sete cabeças. Hoje a atividade é regulamentada pelo Ibama e, além de ajudar na manutenção da espécie, garante um dinheirinho extra para dezenas de ribeirinhos. A cadeia produtiva da crocodicultura vem se firmando no Pantanal como opção rentável. Em Mato Grosso, a atividade começou há mais de 20 anos em Cáceres (250 km a sudoeste de Cuiabá). De acordo com o censo de 2009, esses criatórios corresponderiam a 250 mil animais em cativeiro. É lá que está instalada a Cooperativa de Criadores de Jacaré do Pantanal (Cocrijapan) que tem o mais moderno abatedouro da América Latina. O primeiro estruturado para abate aéreo(processo que elimina possibilidade de contaminação). A Cocrijapan tem capacidade de processar seis toneladas de carne por mês. O total de animais para abate é em torno de 70 mil, com operacionalidade atual para 300 animais por dia. O abatedouro opera com apenas 40% de sua capacidade. Apesar dos preconceitos, a carne vem conseguindo conquistar os mais sofisticados paladares. O custo médio do quilo da carne fica em torno de R$ 22, e algumas partes do animal, como os filés, podem chegar até a R$ 55 o quilo. A gestora do Projeto de Animais Silvestres do Sebrae/MT, Cynthia Justino, disse que o objetivo da parceria entre o Sebrae e a Cocrijapan é fortalecer e organizar a cadeia produtiva do jacaré no Estado. "No início nossa maior dificuldade foi entender como funcionava os elos dessa cadeia e como interligá-los de forma produtiva." Segundo Wilson Girardi, nos últimos cinco anos grandes avanços foram conquistados. Dentre estes, ele cita a isenção do ICMS para produtos oriundos da carne de jacaré. A Cocrijapan é a única com o SIF (Serviço de Inspeção Federal), transformando-o no primeiro e único especializado no abate de jacaré da América Latina e também o único com autorização para exportação. Do jacaré tudo se aproveita. Sua pele serve para calçados e bolsas; as glândulas são usadas como fixadores de aromas na produção de perfumes; a gordura é usada em remédios para asma e bronquite. Os artigos de couro de jacaré são considerados de alto luxo em todo o mundo. O couro é exportado para os Estados Unidos e Europa e também vendido a fabricantes de artigos de couro do Sul e Sudeste.

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