SÃO PAULO - O noticiário externo negativo estimulou uma realização de lucros na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta quinta-feira. Ao final do pregão, o Ibovespa apontava queda de 1,46%, aos 39.

638 pontos. O giro financeiro foi baixo, somando R$ 2,83 bilhões
As vendas por aqui seguiram o comportamento observado no mercado norte-americano, onde dados corporativos e econômicos levaram os investidores a reavaliar as expectativas positivas com o plano econômico e o novo projeto de resgate aos bancos. Por volta das 18 horas, o Dow Jones caía 2,06%, enquanto o Nasdaq tinha desvalorização de 2,51%.

Contribuindo para o viés negativo, a venda de imóveis novos caiu 14,7% em dezembro, para 331 mil unidades na taxa anualizada, pior resultado desde 1963. As encomendas de bens duráveis à indústria recuaram 2,6% no último mês de 2008 e 588 mil norte-americanos foram até um escritório do governo para receber seu seguro-desemprego na semana passada.

Para o economista da Win, home broker da Corretora Alpes, José Goés, a Bovespa passou por um movimento normal de realização de lucros depois de acumular alta de 6,15% nas últimas quatro sessões.

Para o especialista, parte da cautela externa que se refletiu por aqui está relacionada com a espera da votação do plano de resgate à economia norte-americana no Senado. Ontem, projeto de mais de US$ 800 bilhões foi aprovado na câmara.

Independentemente do dia-a-dia, Góes ressalta que Bovespa continua firme, tentando se descolar do mercado externo. Sinal claro disso é que, enquanto Dow Jones e S & P acumulam perda de cerca de 6% em janeiro, o Ibovespa tem valorização de 5,5%.

Na avaliação do economista, isso mostra que parte do mercado acredita que o Brasil pode ter um desempenho melhor que outros mercados assim que a crise der sinal de trégua. "O Brasil deve ser uma das principais opções de investimento quando a crise passar", acredita Goés.

Além de bons indicadores e do espaço para a retomada no preço das commodities, o especialista aponta que a expectativa de juros menores torna atrativo o investimento em ações.

O senão é o mercado financeiro norte-americano, que continua dando sustos e garantindo instabilidade. "Enquanto esse problema persistir, a bolsa não tem como andar muito."
No âmbito corporativo, o papel PNA da Vale caiu 2,96%, para R$ 28,50, devolvendo parte da alta de 11,6% que acumulava na semana. Baixa também, mas em menor intensidade, para o ativo PN da Petrobras, que fechou a R$ 25,03, com queda de 0,67%.

Seguindo os pares internacionais, Bradesco PN caiu 2,99%, para R$ 21,05, e Itaú PN recuou 3,18%, para R$ 23,70. Banco do Brasil ON cedeu 3,8%, a R$ 14,15, enquanto o Goldman Sachs voltou a reduzir a previsão de lucro do banco estatal.

Destoando, Usiminas PNA ganhou 0,41%, a R$ 29,20. Hoje, a Nippon Steel elevou sua participação na companhia em 5,9%, comprando ações que estavam em poder da Vale. A japonesa detém agora 29,2% da empresa. O ativo ON da Usiminas foi destaque de alta, subindo 5,4%, para R$ 27,51. Ainda no setor, Gerdau PN caiu 1,10%, a R$ 15,19. O UBS prevê menos lucro para as empresas do setor.

Na ponta vendedora, as fabricantes de papel e celulose refletiram a expectativa de menor preço para celulose divulgada por corretoras estrangeiras. Klabin PN cedeu 6,45%, para R$ 3,19, e Aracruz PNB se desvalorizou 4,71%, para R$ 2,02.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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