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Apesar das diferenças significativas de renda e gastos entre as classes C1 e C2, telefone celular, aparelho de DVD e TV são itens com presença obrigatória nos domicílios desses dois estratos da população brasileira. Pesquisa da LatinPanel revela que 81% dos domicílios da classe C1, a classe média mais rica, têm celular, apenas dez pontos porcentuais acima do índice registrado pela a classe C2 (71%).

O quadro é semelhante no caso do aparelho de DVD, presente em 81% dos domicílios da classe C1 e em 68% na classe C2, uma diferença de 13 pontos porcentuais. Nos televisores, há praticamente um empate: 99% e 98% das casas de classe C1 e C2 têm TV em cores , respectivamente.

Segundo o gerente de atendimento da LatinPanel, o economista João Paulo Ferri, as facilidades de crédito explicam a pequena diferença nos indicadores de posse desses bens. Mas a pesquisa mostra que para itens de maior valor e menos essenciais , como automóvel, computador e máquina de lavar roupa, há um hiato entre os indicadores de posse das classes C1 e C2.

De acordo com a pesquisa, 42% dos domicílios da classe C1 têm automóvel, ante 16% da classe C2. No caso do microcomputador, a diferença também é significativa: 34% dos domicílios da classe C1 têm o equipamento ante 14% da classe C2. Na máquina de lavar, o diferencial chega a 30 pontos porcentuais: 55% das casas da classe C1 têm o eletrodoméstico, ante 25% da classe C2.

Comércio e indústria já perceberam que a classe C não é uma só. "Apesar do poder aquisitivo muito parecido, existe uma classe C mais comedida no consumo e outra menos comedida", afirma Valdemir Colleone, supervisor-geral das Lojas Cem, rede especializada em móveis e eletrodomésticos. Uma parte dessa camada da população não cai no "canto da sereia", diz o executivo. Isto é, sabe que veículo, telefone celular e microcomputador são bens que demandam manutenção e, portanto, geram despesas. O desafio para quem vende a prazo é saber distinguir os dois grupos e escolher o bom pagador.

A Whirlpool, fabricante de eletrodomésticos das marcas Consul e Brastemp, é outra empresa que captou a tendência. "A classe C é tão grande que não dá para ser homogênea", afirma a gerente de Marketing da Consul, Pethra Ferraz. A empresa quebrou a crença do mercado de que a Consul era a marca para o consumidor de menor renda e a Brastemp, para os mais abastados.

Segundo Petra, a Consul tem produtos para um faixa ampla de renda, desde a geladeira de uma porta até o refrigerador frost free de inox. "O nosso enfoque de marcas é a atitude do consumidor."

Diferenças à parte, a pesquisa da LatinPanel mostra que tanto a classe C1 quanto a C2 gastam mais do que ganham. Outro ponto comum entre as duas classes é que seus integrantes não se sentem como classe média. "Vivemos no limite, não temos recursos para o lazer", conclui o encarregado de manutenção José Hildo Reis dos Santos. As informações são da edição de domingo do O Estado de S. Paulo .

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