A operadora T-Mobile anunciou ontem nos Estados Unidos o lançamento do G1, primeiro celular equipado com o Android, software de telefones móveis criado pelo Google. O aparelho, fabricado pela taiwanesa HTC, chegará ao mercado americano em 22 de outubro, à Inglaterra em novembro e a outros países europeus no começo do próximo ano.

A HTC ainda não tem previsão de quando o celular chegará ao Brasil.

O G1 vai concorrer com o iPhone, da Apple, e tem algumas características parecidas com ele, como uma grande tela sensível ao toque. O software permite uma integração mais simples com os serviços do Google, como o Gmail, o YouTube e o Google Maps. Com um contrato de dois anos, o aparelho custará US$ 179 nos EUA.

A T-Mobile planeja vender 400 mil aparelhos com o Android este ano, e lançar novos modelos em 2009. O objetivo do Android é tornar mais fácil a navegação na internet pelo celular. O software tem código aberto, e pode ser usado de graça pelos fabricantes e modificado livremente por programadores. Sergey Brin, um dos fundadores do Google, disse que a empresa está interessada no mercado de publicidade móvel.

"De maneira geral, achamos que, se existirem ótimos (sistemas operacionais) no mercado, que permitam às pessoas terem ótimos aparelhos e ótimas aplicações, elas usarão a internet nos celulares muito mais", disse Brin. "E, quando as pessoas usam mais a internet, elas acabam usando nossos serviços e, no final, isso é bom para nossos negócios. Não existe plano secreto de ter anúncios que aparecem de repente ou nada parecido."

A expectativa do Google é que o Android incentive a criatividade de desenvolvedores de software, que poderão escrever aplicações para ele livremente. "Não existem muitos recursos surpreendentes nele", disse Lance Ulanoff, editor-chefe da PC Magazine. "Acho que podemos esperar que ele será um bom celular para a internet."

Os desenvolvedores poderão enviar aplicações para uma loja online do Google, que pretende usar ao mínimo seu poder de veto. A Apple lançou uma loja parecida para o iPhone no começo do ano, mas mantém um controle maior das aplicações disponíveis. Ela bloqueia programas que competem com os programas dela mesma.

Brin contou que criou um programa para o G1. Ele usou o sensor interno do telefone para medir quanto tempo demora para o aparelho atingir o chão quando é jogado para o alto. Mas concordou que não seria muito inteligente incluir esse programa num aparelho de preço alto como o G1. "Não o incluímos na configuração padrão", disse.

Assim como o navegador Chrome, lançado no começo do mês, o Android é um produto do Google que não gera receita direta para a empresa. Há outros produtos, como o serviço de fotos Picasa, o software de desenhos tridimensionais SketchUp, os avisos via e-mail Google Alerts e o software de busca no computador Google Desktop, que são gratuitos e não têm publicidade. O Orkut também não tem publicidade no Brasil.

"Se o produto tem aceitação, e está relacionado com o objetivo do Google de organizar a informação, ele recebe apoio da empresa", disse Felix Ximenes, diretor de Comunicação do Google Brasil. "Não existe nenhum compromisso de achar uma veia lucrativa em dois, três ou quatro anos."

A principal fonte de receita do Google é a venda de publicidade, na forma de links patrocinados, pequenos anúncios de textos que aparecem ao lado das buscas.

A empresa também oferece serviços corporativos, que têm uma participação muito pequena no faturamento. Existe um equipamento de buscas para as empresas conectarem às suas redes. O Google cobra também assinaturas para o uso profissional do Google Docs, concorrente do Microsoft Office, e do Google Earth. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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