GENEBRA - O Brasil recuou na crítica ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, argumentando que não quis entrar em jogo de acusação. Na noite de ontem, o representante brasileiro tinha conclamado Obama a não se esconder atrás de formalidades pelo fato de não ter assumido ainda e mostrar liderança para salvar a Rodada Doha para liberalização do comércio mundial.

"É muito bom dizer que só há um governo por vez. Mas ninguém pode se esconder de suas responsabilidades. E nesse estágio, líderes tem que mostrar que são líderes. Não podem se esconder atrás de formalidades", disse o representante brasileiro na noite de ontem ao sair de um encontro com o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy.

O ministro brasileiro havia acrescentado que "tem uma administração que está encarregada das negociações, mas tem uma outra que está na sombra". "E se não temos um sinal político da (administração) que está vindo, então será muito difícil porque mesmo outros países terão temor de negociar", comentou.

Hoje cedo, em entrevista coletiva em Genebra após reunião do G-20, grupo coordenado pelo Brasil, o representante brasileiro declarou-se "desapontado" com a interpretação dada pela imprensa brasileira. Argumentou que não entrou no "jogo de acusação" e, sim, que fez um pedido "positivo" de sinalização por parte de Obama para levar adiante à negociação na OMC.

Na entrevista nesta manhã, Amorim já não usou termos como "responsabilidade" do futuro presidente. Apontou a "ganância" de alguns países, sem mencionar expressamente os EUA, pelo fiasco que deve ser anunciado ainda hoje na Rodada Doha. Mesmo se a negociação demorar mais três ou quatro anos, ele disse que o Brasil continuará trabalhando pelo sucesso dela.

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, deve anunciar formalmente hoje à tarde se convoca uma ministerial para tentar um acordo agrícola e industrial. As apostas são de que ele vai engavetar a idéia. "A questão é como enterrar o morto", disse um embaixador.

(Assis Moreira | Valor Econômico para Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.