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Celso Amorim pede ao mundo que evite o instinto protecionista

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, fez um apelo, nesta sexta-feira, em Davos (Suíça), pela conclusão da Rodada de Doha, de negociações na Organização Mundial do Comércio, OMC, para a liberalização do comércio mundial. Advertiu que se o mundo se deixa arrastar pelo instinto protecionista para enfrentar a crise, os países pobres se verão particularmente golpeados.

AFP |

"A questão comercial não é uma simples questão", disse Amorim à imprensa, paralelamente ao Fórum Econômico Mundial que se realiza nesta cidade alpina.

Por isso, avançar na Rodada de Doha da Organização Mundial de Comércio (OMC) é a melhor maneira de impor barreiras às tentações protecionistas - afirmou o ministro.

"Não há como evitar medidas protecionistas num sistema que não esteja progredindo", pois "o instinto (em situações de crise) não é favorável ao livre comércio; é ser protecionista", destacou.

E se o mundo entra nessa vertente, "os países pobres se verão prejudicados, por falta de condições de (enfrentar) esse nacionalismo econômico".

A Rodada de Doha, lançada em 2001, está paralisada por discrepâncias entre os países em desenvolvimento, que esperam maior abertura dos mercados agrícolas nos Estados Unidos e Europa que, por sua vez, exigem maior acesso a seus produtos industriais e bens de serviços ao resto do mundo.

Na quinta-feira, no Fórum de Davos, o ex-presidente americano, Bill Clinton, afirmou que não é uma boa hora para termos acordos comerciais - numa alusão à Rodada de Doha, no que foi contestado pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy

Também em Davos, a Europa contestou uma cláusula em favor da compra de produtos americanos no plano de retomada econômica do presidente Barack Obama, de 819 bilhões de dólares aprovado quarta-feira pela Câmara dos Representantes americana.

O artigo em questão, o "Compre América", perdido em um projeto de lei de cerca de 650 páginas, proibiria em grande parte a compra de ferro e aço estrangeiros para os projetos de infraestrutura financiados pelo plano de retomada.

A cláusula que proíbe a compra de ferro e aço estrangeiros pelos Estados Unidos, para projetos de infraestura, segundo os especialistas, prejudicaria não apenas os europeus, mas, principalmente o Brasil - o maior exportador de ferro e um dos maiores exportadores de aço do mundo.

O presidente Barack Obama também pediu aos parlamentares que adotassem rapidamente um projeto de lei destinado a criar e proteger entre 3 e 4 milhões de empregos. O Senado está trabalhando na sua própria versão do texto e deve chegar a um consenso.

Durante sua campanha, Obama defendeu uma renegociação dos acordos de livre comércio assinados pelos Estados Unidos, lançando temores no exterior de uma volta do protecionismo da primeira economia mundial.

Vários economistas pediram ao novo governo que não erguesse barreiras protecionistas para proteger o emprego americano.

A comissária européia do Comércio, Catherine Ashton, manifestou preocupação. "Estamos examinando a situação. Ainda é cedo para se pronunciar sobre este texto, antes de ter sua versão final", indicou seu porta-voz, Peter Power, em Bruxelas.

"Entretanto, há uma coisa da qual estamos absolutamente certos, é que se uma lei for votada e ela proibir a venda ou a compra de produtos europeus no território americano, não poderemos ignorá-la e ficar de braços cruzados", disse.

O projeto de lei adotado pela Câmara proíbe que os fundos previstos para o plano de retomada sejam aplicados em projetos de infraestrutura "a menos que todo o ferro e o aço utilizados (nestes projetos) sejam produzidos nos Estados Unidos".

O texto prevê exceções no caso de esta disposição "ser contra o interesse público", ou se não houver aço e ferro de qualidade satisfatória suficientes, ou ainda se os recursos aos únicos produtos americanos aumentarem o custo de um projeto em mais de 25%.

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