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Celso Amorim afirma que negociação com países da OMC foi muito satisfatória

Genebra, 26 jul (EFE).- O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou neste sábado que há alguns anos ninguém imaginaria que a questão da agricultura pudesse chegar aonde chegou, em referência à proposta apresentada nesta sexta para salvar as negociações da Rodada de Doha.

EFE |

"Os números são aceitáveis", disse o ministro na saída de uma reunião do G20 - grupo formado por países agrícolas em desenvolvimento e que é coordenado por Brasil e Índia.

O Brasil é o único país sul-americano que faz parte do restrito "clube" de sete potências comerciais que, nos últimos três dias, negociaram um acordo sobre agricultura e abertura de mercados industriais.

Tal medida teria o objetivo de espalhar o resultado da discussão para um grupo mais amplo de ministros de 30 países que estão em Genebra desde o fim de semana passado.

Este processo deu margem para o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, apresentar uma proposta na qual tenta convergir todos os interesses - proposta aceita pelo Brasil apesar de possuir aspectos que foram rechaçados por membros do G20, inclusive pela Argentina, sua parceria no Mercosul.

Perguntado sobre se esta situação geraria uma crise no G20, Amorim disse que o grupo continua existindo e que seguirá junto em tudo.

O ministro garantiu que o Brasil continua sendo o porta-voz do grupo, embora tenha dito que somente nos temas com os quais concordar.

"Nas questões em que houver antagonismo devemos manter certa neutralidade", declarou.

Afirmou também que "o G20 continua sendo importante" e avança, apesar de existirem diferenças.

Após vários dias de intensas negociações de 30 ministros para tentar desbloquear a Rodada de Doha, que é discutida há sete anos, Lamy apresentou um texto que aparentemente era respaldado pela maior parte dos envolvidos.

No entanto, Argentina, Índia e Indonésia mostraram descontentamento com a proposta.

O ministro de Comércio da Índia, Kamal Nath, disse que os países continuam realizando consultas sobre o texto e lembrou que tanto seu país quanto África do Sul, Egito e Argentina têm pontos de vista diferentes dos de Lamy.

O vice-ministro de Comércio sul-africano, Rob Davies, disse à Agência Efe que seu país não está bloqueando o processo, mas que também não dará "uma folha em branco" a ele.

"Queremos que nos prometam que isto vai ter um resultado para o desenvolvimento", declarou Davies. A África do Sul tem dúvidas quanto às propostas sobre a abertura de mercados industriais.

O ministro de Comércio da Venezuela, Willian Antonio Contreras, disse que muitos notavam com preocupação que o texto, em grande medida, atendia mais às inquietações de alguns membros do que, efetivamente, às necessidades de desenvolvimento da maioria dos membros da OMC.

Já o chanceler argentino, Jorge Taiana, expôs sua oposição à proposta: "As idéias defendidas são mais do mesmo".

Alguns países em desenvolvimento, como Itália, França, Hungria, Irlanda e Lituânia, também confirmaram hoje sua insatisfação com alguns aspectos da proposta de Lamy. Argumentaram que esta "não é equilibrada", bem como consideram que falta equilíbrio ao texto, que requer ajustes para poder ser aceito.

O Governo italiano emitiu uma nota esclarecendo que o primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, concordaram com a "absoluta necessidade" de se alcançar um acordo "positivo e equilibrado".

A proposta de Lamy inclui um corte de ajudas agrícolas que distorcem o comércio e prevê reduções de tarifas que chegarão a 70% nos produtos que são mais caros nos países desenvolvidos.

Assim como o Brasil, o México expressou satisfação com o avanço obtido com o projeto e destacou que a diminuição dos subsídios agrícolas que distorcem o comércio não poderia ser imaginada até poucos anos atrás.

A subsecretária de Negociações Comerciais Internacionais do México, Beatriz Leycegui, disse que, embora existam divergências entre alguns países do G20 quanto à proposta de Lamy, o grupo deve se manter unido.

Por enquanto não se sabe qual será a reação dos membros da OMC ao anúncio da UE de apresentar um novo texto.

Mandelson deixou claro que a Argentina era para estar contente com tudo o que foi conseguido até o momento, assim como deveria fazer cálculos de todas as exportações agrícolas que poderá enviar para a UE.

"Acho que (Buenos Aires) obteve tudo o que queria", declarou Mandelson, evitando assim a principal preocupação argentina, que é a recusa à diminuição das tarifas para importação de bens industriais.

Preocupação esta que Buenos Aires compartilha com a Índia.

Mandelson também se referiu a Nova Délhi ao afirmar que, embora a Índia não esteja contente com os textos atuais, deveria esperar a conferência sobre serviços, que acontecerá esta tarde e assinalará os setores que cada país está disposto a liberalizar.

A Índia tem um interesse especial nesta área, já que procura o movimento além da fronteira para seus trabalhadores, sobretudo na área de informática e de telecomunicações. EFE mh/fh/fal

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