Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

CE flexibiliza investigação de socorro a bancos na França

Paris venceu a queda-de-braço com a Comissão Européia (CE), que terá de flexibilizar a investigação sobre o plano francês de recapitalização do sistema bancário, anunciado pelo Palácio do Eliseu em novembro. Ontem, em Bruxelas, ministros de Economia e Finanças dos 15 países-membros da zona do euro se levantaram contra a investigação, denunciando a burocracia em momentos de crise.

Agência Estado |

Os bancos socorridos terão, porém, de comprovar o reequilíbrio de suas contas ou o aumento das linhas de crédito para financiamento da economia real.

O atrito entre o governo da França e a Comissão Européia havia sido levantado pelo jornal britânico Financial Times, no sábado. A reportagem revelava que a Comissão de Concorrência da CE vinha investigando as condições do plano de recapitalização de 10,5 bilhões, criado pela França em novembro. Em forma de empréstimo, o programa beneficiava seis instituições bancárias do país - Crédit Agricole, BNP Paribas, Société Générale, Caisse dEpargne, Crédit Mutuel e Banco Popular.

A condição, advertiu então o presidente da França, Nicolas Sarkozy, era de que as instituições - que não enfrentavam risco de falência, como ocorria no Reino Unido e na Alemanha - irrigassem a economia com crédito a empresas e famílias. Entretanto, a comissária de Concorrência da CE, Neelie Kroes, levantou a suspeita de que os empréstimos pudessem mascarar vantagens concorrenciais para os bancos do país, caso as novas linhas de financiamento não fossem de fato criadas. No domingo, o presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Durão Barroso, afirmou, em um programa de TV: "É preciso evitar que haja distorções de concorrência. Se não há regras, é a lei da selva."

Ontem, no segundo dia da Ecofin, a reunião de ministros de Economia e Finanças em Bruxelas, a ofensiva da CE contra o pacote francês foi alvo de ataques. O temor era de que a investigação fosse apenas a primeira de uma série de contestações, que também envolveriam o Reino Unido e a Alemanha. "Nós devemos nos livrar desta legião de burocratas que analisam as ajudas de Estado", esbravejou o ministro das Finanças da Suécia, Anders Borg.

Horas mais tarde, o resultado da reunião foi anunciado em tom mais ameno. De acordo com a ministra de Economia da França, Christine Lagarde, um acordo foi fechado entre o Ecofin e a Comissão Européia. "A comissária Neelie Kroes aceitou rever suas diretivas, considerando que a prioridade deve ser dada aos imperativos de funcionamento da economia, mais urgentes que as regras de Direito e de concorrência", anunciou Christine. "Claro que não vamos renunciar a elas."

Na prática, a Comissão de Concorrência vai fazer vistas grossas para as eventuais distorções dos planos de socorro. A CE também não poderá impedir que os bancos distribuam dividendos aos seus acionistas no exercício de 2008.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG