Bruxelas, 10 set (EFE).- A Comissão Européia (CE) prevê que a zona do euro registrará este ano uma forte desaceleração, mas espera que fuja da recessão, que alcançará algumas das maiores economias européias.

Segundo as novas previsões divulgadas hoje pelo órgão executivo da UE, após cair no segundo trimestre do ano 0,2%, o PIB da zona do euro permanecerá sem variações no terceiro trimestre e aumentará 0,1% no último.

No conjunto do ano, a economia dos países que adotam o euro aumentará 1,3%, o que representa um corte de 0,4 ponto percentual em relação a sua previsão anterior.

O órgão Executivo da UE também diminuiu o aumento do PIB previsto no bloco, que será de 1,4% (0,6 ponto percentual a menos do que o anunciado em abril).

Este arrefecimento brusco - o crescimento diminuirá para a metade de 2007 a 2008, tanto na eurozona como na UE - se deve à persistência das turbulências financeiras, ao forte aumento das matérias-primas e à detenção brusca do setor imobiliário em vários países.

A crise atinge toda a UE, mas a deterioração é especialmente sentida em algumas das grandes economias, que cairão este ano na temida recessão (tecnicamente, acontece quando o PIB cai por dois trimestres seguidos).

Segundo as previsões da CE, a principal economia do bloco, a Alemanha, que já caiu 0,5% no segundo trimestre, retrocederá 0,2% no terceiro, para subir um pouco no último.

Além disso, a economia britânica diminuirá, com quedas de 0,2% em seu PIB no terceiro e no quarto trimestre do ano.

A Espanha será a terceira grande economia a entrar em recessão este ano, já que seu PIB retrocederá 0,1% entre julho e setembro e 0,3% entre outubro e dezembro.

A situação só é um pouco melhor na França e na Itália, que após registrarem quedas no segundo trimestre, marcarão "crescimento zero" no terceiro, para subirem um pouco no último (alta do PIB de 0,1%).

Além disso, haverá uma aceleração da inflação, que aumentará até 3,6% na zona do euro, longe do objetivo de 2% estipulado pelo Banco Central Europeu (BCE), e o 3,8% na UE.

O ente executivo da UE acredita que os preços poderiam ter tocado o teto em meados do ano, mas destaca o risco que apareçam efeitos "de segunda rodada" em outros preços e nos salários.

Em sua análise, Bruxelas diz que estas perspectivas estão rodeadas de "incerteza", pelas dúvidas sobre o alcance dos problemas nos mercados financeiros, as pressões inflacionárias e a queda generalizada da confiança.

Também mostra certa preocupação pela evolução da economia americana, o possível aparecimento de novas barreiras protecionistas e sobre a capacidade de algumas economias européias de solucionarem seus desequilíbrios internos e externos.

O comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, Joaquín Almunia, aconselhou as autoridades nacionais que, para superarem as dificuldades atuais, continuem com as reformas estruturais e mantenham a disciplina fiscal, sem deixarem de combater a inflação.

Segundo ele, "quanto mais inflação, mais risco que a economia caia em recessão", afirmou.

No caso concreto da habitação, um dos setores mais prejudicados pela desaceleração, afirmou que as medidas de incentivo ao investimento particular e impulso ao aluguel anunciadas por vários Governos, como o espanhol e o britânico, contribuam para reativar o setor.

Os números divulgados hoje pela Comissão constituem apenas previsões interinas e só incluem cálculos sobre PIB e inflação na UE, na eurozona e nos sete Estados-membros cujo PIB equivale ao 80% de toda a União - Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha, Holanda e Polônia. EFE epn/fal

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