BRASÍLIA - Os senadores que integram a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovaram ontem, em turno suplementar e em decisão terminativa, mudanças ao projeto de lei que regulamenta o uso de algemas pelas autoridades policiais. As alterações, sugeridas pelo autor da matéria, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), disciplinam os casos de abuso na utilização de algemas para contenção de presos e, segundo Demóstenes, estão adequadas ao conteúdo da 11ª Súmula Vinculante, aprovada na quarta-feira passada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o estabelecido pela Suprema Corte, o uso de algemas ficará restrito a casos de resistência, de risco de fuga do preso e de ameaça à integridade física dos envolvidos na operação policial.

Conforme lembrou Demóstenes, o projeto original (PLS 185/04) e o substitutivo oferecido por José Maranhão (PMDB-PB) detalhavam casos em que o uso de algemas era permitido, mas apresentavam lacunas que poderiam ser usadas contra a ação da autoridade policial, o que gerou diversas manifestações de membros do Ministério Público, da magistratura e da Polícia Federal. Para atender aos apelos desses setores e evitar o problema, explicou o senador por Goiás, o texto aprovado pela CCJ suprime o artigo que trata das situações em que o emprego de algemas é autorizado.

Em vez de disciplinarmos as situações em que o preso pode ser algemado, especificamos os casos de abuso. Em vez de dizermos quando a algema pode ser usada, dizemos quando não pode ser usada. Dessa forma, estamos mantendo o espírito original, que se coaduna com a súmula do STF, frisou ele.

O texto aprovado veda o emprego de algemas como forma de castigo; quando o investigado se apresentar espontaneamente à autoridade policial; e por tempo excessivo. Os senadores também acolheram a recomendação de que as algemas sejam usadas preferencialmente nos punhos e que outras formas de contenção de presos sejam adotadas apenas em situações excepcionais.

As mudanças propostas por Demóstenes receberam a aprovação do relator ad hoc na CCJ, senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE). Conforme ressaltou o parlamentar por Sergipe, o projeto aprovado pela CCJ e a súmula aprovada pelo Supremo Tribunal Federal têm objetivos semelhantes: evitar o uso abusivo das algemas.

A intenção é acabar com a pirotecnia em torno das operações de prisão. O acusado, quando for o caso, deve ser algemado, mas isso deve ser feito dentro das regras estabelecidas em lei, afirmou Valadares.

No mesmo sentido, os senadores Valter Pereira (PMDB-MS), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Antonio Carlos Júnior (DEM-BA) manifestaram apoio ao texto aprovado.

(Agência Senado)

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