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Cauteloso, paulistano foge de crediário e quer aproveitar descontos

SÃO PAULO - Aumentou em janeiro o número de consumidores paulistas que desistiram de ir às compras no primeiro trimestre deste ano. Dados do Programa de Administração do Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA) mostram que 33,4% dos consumidores não pretendem adquirir bens de consumo duráveis e semi-duráveis de janeiro a março.

Valor Online |

Na pesquisa feita em outubro, referente às intenções de compra para o quarto trimestre de 2008, os cautelosos somavam 26,2% dos consumidores consultados. O levantamento feito entre 5 e 9 deste mês, junto a 500 consumidores da capital paulista, surpreende quando comparado a janeiro do ano passado, quando estava em 43,4% a fatia de entrevistados que não pretendiam comprar no trimestre inicial de 2008.

Na avaliação de Cláudio Felisoni, coordenador do Provar, essa diminuição na intenção de compra em relação ao último trimestre de 2008 é sazonalmente esperada, mas também embute a piora das expectativas dos consumidores por conta do cenário de crise.

Já o aumento verificado perante a primeira pesquisa de 2008 pode estar relacionado com a postergação das compras de Natal para o início do ano. Como o Natal de 2007 foi bastante aquecido, os consumidores não se mostraram tão empolgados em continuar comprando no primeiro trimestre de 2008.

Já no último Natal as vendas foram mais modestas e, cientes do cenário de desaquecimento econômico, os paulistanos podem ter preferido esperar pela queima de estoques destes primeiros três meses de 2009.

Dentre os 66,6% de consumidores que disseram estar dispostos a comprar neste primeiro trimestre, a maior parte, 13,6%, pretende adquirir máquina fotográfica, filme e câmera fotográfica, possivelmente atraídos por promoções. Na pesquisa anterior essa disposição era notada em 12,8% dos entrevistados.

A intenção de apostar em compra de veículos também aumentou, tendo passado de 6,2% do total para 7%. No caso de materiais de construção, a fatia de interessados em adquirir itens desse grupo passou de 7,6% para 8,4% do quarto trimestre do ano passado para o trimestre atual.

Vale notar, no entanto, que a maioria dos segmentos mostrou retração. Grupos como o de telefonia celular, que vendeu bem no Natal, registrou queda na preferência dos consumidores entrevistados nesta edição de pesquisa, de 10,6% para 6,4% nesta pesquisa.

Também houve baixa no grupo informática, de 13,2% para 9%, e de eletroeletrônicos, cuja intenção caiu 38,2% do quarto trimestre para o primeiro trimestre deste ano, passando de 11%, pra 6,8%.

Prova de que os consumidores esperam pagar menos pelos produtos que planejam comprar está, por exemplo, na queda de 32,6% no valor que os paulistanos pretendem desembolsar em itens de eletroeletrônicos, de R$ 1.201,82 para R$ 810,23. Também é esperada uma baixa de 29,4% nos preços de móveis neste trimestre, sendo que a expectativa seria gastar R$ 1.186,80 nesse tipo de produto no período.

A surpresa ficou por conta dos automóveis. Mesmo com os esforços do governo para aumentar as vendas do setor com desconto de IPI, anunciado no final do ano passado, os consumidores que planejam comprar carros neste trimestre esperam pagar 14% a mais pelos veículos, com gasto de R$ 22.240,00.

Conjugando as intenções de compra com as de gasto, a FIA projeta um crescimento de 29% no volume de vendas de veículos nestes primeiros três meses e de 46% em itens de linha branca, grupo em que a perspectiva de gasto subiu 26,9% do quarto para o primeiro trimestre (R$ 1.424,52) e a intenção de compra avançou de 9,2% para 10,6%.

Compras a prazo

Como efeito do medo do desemprego e da restrição ao crédito, o planejamento de compras a prazo caiu bastante em alguns grupos. Dentre os que pretendem comprar itens de informática, por exemplo, nestes primeiros três meses de 2009, apenas 15,5% pretendem acessar crédito para fazer isso. Um ano antes, essa fatia era de 80,5%. Mas houve recuperação em relação ao quarto trimestre de 2008, período em que 13,2% planejavam comprar esse tipo de produto em parcelas.

Os veículos nem chegaram a ser mencionados nesta lista de pesquisa, mas houve forte retração também na intenção de financiar itens de linha branca. Nos primeiros três meses de 2008, 87,5% dos consumidores pretendiam comprar a prazo, agora essa fatia diminuiu para 33,9%. Na pesquisa do trimestre final de 2008 essa intenção era registrada por 32,6% dos consumidores questionados.

Endividamento


Quando analisada a gestão da renda mensal para gastos neste início de ano, percebe-se uma redução da alocação de recursos para outras despesas (que inclui dívidas, gastos eventuais) para 19,67% do total disponível, igual ao percentual registrado um ano antes e inferior ao trimestre imediatamente anterior, quando essa fatia era de 21,21%.

Se for analisada, entretanto, a distribuição desses gastos com outras despesas, percebe-se que os consumidores pretendem comprometer apenas 8,10% com despesas específicas de crediário, deixando o restante disponível para outros gastos eventuais, ou mesmo novas compras.

Para Felisoni, isso mostra que os consumidores estão mais precavidos, possivelmente fazendo uma reserva para a hipótese de desemprego. Essa reserva, de 11,57% do total planejado para outras despesas, era de 7,51% no quarto trimestre de 2008 e de apenas 6,87% nos primeiros três meses do ano passado.

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