SÃO PAULO - A maior cautela adotada pelos investidores no cenário externo deve se refletir numa abertura negativa do mercado acionário doméstico nesta terça-feira. A indicação parte do Ibovespa futuro que, há pouco, recuava 0,57%, aos 69.

SÃO PAULO - A maior cautela adotada pelos investidores no cenário externo deve se refletir numa abertura negativa do mercado acionário doméstico nesta terça-feira. A indicação parte do Ibovespa futuro que, há pouco, recuava 0,57%, aos 69.050 pontos. Ontem, depois de três altas consecutivas, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu os 69 mil pontos, ao registrar queda de 0,92%, aos 68.871 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 4,475 bilhões. Depois da ausência de indicadores de ontem, a agenda americana desta terça-feira reserva o índice de confiança do consumidor de abril, elaborado pelo Conference Board, e o índice de preço de imóveis da S & P CaseShiller. Também é aguardado um pronunciamento do presidente do Federal Reserve (Fed), banco central americano, Ben Bernanke. O principal evento do dia, no entanto, será o depoimento do diretor-presidente do Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, no Congresso americano. Texto distribuído ontem pelo banco revela que o executivo dirá que não apostou contra seus clientes e que não poderá sobreviver sem a sua confiança. A Securities and Exchange Commission (comissão de valores mobiliários dos EUA) moveu ação civil contra o banco, dizendo que ele enganou os investidores sobre ativos ligados a empréstimos hipotecários. A SEC alega que o Goldman montou tais derivativos sem avisar os compradores que a escolha dos títulos que formavam o produto tinha sido feita com a ajuda de um cliente, o fundo de hedge Paulson & Co., que estava apostando contra esses investimentos. O Goldman nega as acusações e diz que vai contestá-las na Justiça. Na audiência desta terça-feira, Blankfein vai repetir o argumento da empresa que perdeu US$ 1,2 bilhão no colapso das hipotecas residenciais em 2007 e 2008, que desencadeou a crise financeira global e uma recessão severa nos EUA. Além disso, a Grécia permanece na atenção internacional. O presidente do banco central do país, George Provopoulos, comentou hoje que a Grécia deve surpreender positivamente os mercados, alcançando melhorias mais acentuadas do que o previsto. Ontem, em Nova York, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, manifestou que as negociações relativas à ajuda à Grécia devem acabar logo e de maneira adequada. A temporada de balanços no Brasil e nos Estados Unidos também continua e os destaques partem dos resultados da 3M Company, Daimler, Deutsche Bank, DuPont, Electrolux, Ford e OHL. No cenário doméstico, começa hoje a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que anuncia amanhã, na mesma data do Federal Reserve (Fed), banco central americano, sua decisão de política monetária. Ontem, em Wall Street, o índice Dow Jones registrou leve alta de 0,01%, aos 11.205 pontos. O índice havia subido nos cinco pregões anteriores. Já o S & P 500 recuou 0,43%, aos 1.212 pontos, e o Nasdaq teve baixa de 0,28%, aos 2.523 pontos. Nesta manhã, os índices futuros americanos operavam em queda, no mesmo sentido das bolsas europeias. Na Ásia, alguns investidores aproveitaram a terça-feira para embolsar lucros recentes e muitas praças acionárias fecharam em baixa. A exceção partiu do Japão, onde o Nikkei 225 avançou 0,42%, para 11.212,66 pontos. Já em Hong Kong, o Hang Seng, teve queda de 1,51%, para 21.261,79 pontos, enquanto o Kospi, de Seul, caiu 0,15%, ficando em 1.749,55 pontos. Além disso, o Shanghai Composite, de Xangai, somou 2.907,93 pontos, com recuo de 2,07%, no menor nível de fechamento em seis meses. No cenário corporativo doméstico, a Fitch Ratings atribuiu a classificação"B+/RR4"à proposta de emissão de US$ 500 milhões em notas seniores pela Marfrig Overseas Limited, subsidiária da Marfrig Alimentos. Os recursos serão usados para refinanciar os vencimentos da dívida em 2010 e 2011, bem como para necessidades de capital de giro. A perspectiva dos ratings da companhia é estável. Ontem, as ações ON da empresa subiram 0,27%, para R$ 18,70. Já o Conselho de Administração da Copel elegeu o atual diretor de distribuição, Ronald Thadeu Ravedutti, para o cargo de presidente da companhia, em substituição a Rubens Ghilardi. O conselho também nomeou Rafael Iatauro para a diretoria de finanças, relações com investidores e de controle de participações, no lugar de Antonio Rycheta Arten. As ações PNB da Copel avançaram 0,28% na última jornada, para R$ 35,80. No mercado de câmbio, após recuar ontem para a menor cotação desde 11 de janeiro (R$ 1,736), o dólar comercial opera em alta. Há instantes, a divisa americana subia 0,40%, para R$ 1,752 na venda. No mercado futuro, o dólar tinha apreciação de 0,20%, a R$ 1,752. (Beatriz Cutait | Valor)
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.