SÃO PAULO - O ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos ainda não tem opinião fechada sobre o que de fato pode ter ocorrido no episódio do grampo telefônico que captou conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal e um senador. Mesmo assim, não descarta que a escuta telefônica tenha partido de dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Existem muitas alternativas e muitas hipóteses. Pode ser que tenha saído da Abin, pode ser que tenha saído da iniciativa privada, ou da iniciativa privatizada, disse.

Questionado sobre a possibilidade de um integrante da Abin ter feito a escuta sem que o diretor da Abin, Paulo Lacerda, tivesse conhecimento, Bastos disse que acha essa hipótese também possível. É uma estrutura grande, que tem muitos funcionários e ex-funcionários com o conhecimento da tecnologia, mas não vou fazer um exercício de futurologia aqui, agora, completou, após evento de comemoração de 40 anos da Revista Veja.

O ex-ministro comentou que Paulo Lacerda colocou o cargo à disposição por entender que isso seria melhor para as investigações. Ele colocou o cargo a disposição e o presidente entendeu que para maior transparência das investigações ele deveria se manter afastado. Não só ele, como a diretoria inteira da Abin , disse.

Segundo o ex-ministro essa decisão de Lacerda também foi tomada para evitar suspeitas de ingerência de algum servidor público nas investigações.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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