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O governo argentino e os líderes ruralistas medirão forças hoje em duas grandes manifestações populares. O objetivo é pressionar os senadores do país, que amanhã votarão o polêmico projeto de lei da presidente Cristina Kirchner para aumentar os impostos sobre as exportações agrícolas.

O aumento é o pivô da crise entre a Casa Rosada e os ruralistas, que já dura 120 dias. A votação coloca em jogo o prestígio político de Cristina e seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner, que, juntos, estão há cinco anos no poder.

Sete senadores cujo voto será decisivo ainda hesitam e os dois lados pretendem pressioná-los levando seus aliados para as ruas. Analistas ressaltam que se o governo perder a votação sairá muito debilitado e lembram que, dentro das próprias fileiras peronistas, setores dissidentes já falam abertamente em "pós-kirchnerismo".

Como presidente do Partido Justicialista (peronista), Kirchner comandará a manifestação pró-governo na frente do Congresso a partir das 15 horas. Os líderes ruralistas presidirão a marcha opositora, a partir das 16h30, no distrito de Palermo, há 55 quarteirões dali. Nunca antes duas manifestações de tal importância foram realizadas de forma quase simultânea, fato que demonstra a disputa acirrada entre os dois lados.

O governo está mobilizando militantes de municípios da Grande Buenos Aires. Aos manifestantes está sendo oferecido transporte e, segundo algumas denúncias, também 100 pesos (US$ 33), refrigerante e um choripán (pão com lingüiça). Ontem, as estimativas dos organizadores previam uma participação de 60 mil a 100 mil pessoas.

A presidente conta com o apoio da maior central sindical do país, a Confederação Geral do Trabalho (CGT). Seu líder, o caminhoneiro Hugo Moyano, afirma que levará 12 mil caminhoneiros para a marcha pró-Cristina. A participação de líderes peronistas, porém, será baixa, já que vários governadores e senadores já disserem que não estarão presentes.

Preparativos

Ontem, na Praça do Congresso, centenas de militantes instalavam uma tribuna para Kirchner e espalhavam faixas a favor do governo. Um grupo agitava um imenso boneco representando com ironia um gorila, animal símbolo do antiperonismo, ao lado de uma vaca, emblema do setor agropecuário argentino.

Ao mesmo tempo, os ruralistas estão desde ontem levando agricultores de províncias como Córdoba, Santa Fé, Entre Ríos e La Pampa até Buenos Aires para protestar contra o governo. A CGT Azul e Branca, a central sindical dissidente criada na semana passada, anunciou que levará 30 mil pessoas para protestar contra a presidente.

Os ruralistas também esperam forte presença da classe média portenha, que desde março participou de meia dúzia de panelaços para protestar contra a política econômica e a corrupção do governo. Líderes de partidos da oposição e até peronistas dissidentes também estarão na marcha anti-Cristina, que pode reunir de 60 mil a mais de 100 mil pessoas.

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