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Carros vão ficar mais seguros. E mais caros

Sob protestos de montadoras, começam a entrar em vigor, a partir do próximo ano, resoluções que tornam obrigatória a instalação de vários itens de segurança nos automóveis. Quatro equipamentos - freio ABS, air bag, rastreador e terceira luz de freio (brake light) - vão encarecer os preços dos carros em quase R$ 4 mil.

Agência Estado |

Para executivos do setor automobilístico, a segurança é importante, mas cabe ao consumidor optar por ter ou não os sistemas em seus veículos.

Em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a crise, o presidente da Fiat, Cledorvino Belini, demonstrou preocupação com iniciativas que vão encarecer a produção, como o projeto que torna obrigatório o rastreador. A norma passa a vigorar em agosto. Segundo o executivo, o item elevará os custos, por veículo, entre R$ 600 e R$ 800.

Em janeiro, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) deve aprovar a obrigatoriedade de todos os carros, inclusive os populares, de saírem de fábrica com ABS (sistema antibloqueio de frenagem) e air bag, bolsa inflável que evita o choque do corpo com o volante ou pára-brisa. Hoje, como opcionais, os dois itens custam entre R$ 2,8 mil e R$ 3 mil.

A instalação será escalonada e cada empresa pode determinar os modelos que receberão os equipamentos primeiro. A partir de janeiro de 2011, 20% dos veículos sairão de fábrica com ABS, porcentual que sobe para 40% em 2013 e 100% em 2014. Para o air bag, a exigência começa em 15% dos carros em janeiro de 2012, vai para 30% em 2013 e para 100% no ano seguinte.

O escalonamento foi um pedido da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A mesma norma será adotada para o rastreador, mas em prazo mais curto. Em agosto de 2009 a exigência de air bag vale para 20% da produção total de automóveis e comerciais leves, porcentual que sobe para 40% em fevereiro de 2010 e 100% em agosto do mesmo ano. Esse item custa entre R$ 100 e R$ 200.

O diretor de segurança veicular da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Harley Bueno, afirma que a produção em maior escala dos equipamentos deve baixar os custos e atrair novos fabricantes para o País. A entidade participa da Câmara Técnica de Assuntos Veiculares do Contran.

No caso do ABS, a Bosch é a única fabricante local. Já o air bag é feito pela Takata e a Autoliv, mas com alto índice de componentes importados. Uma terceira companhia, a TRW, entrará no ramo no primeiro semestre de 2009.

Demora - Maria Inês Dolci, coordenadora da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pró-Teste), critica a demora para a obrigatoriedade de instalação dos itens em todos os carros novos. "O governo não deveria aceitar um prazo tão longo, pois muitas vidas poderiam ser preservadas", afirma Maria Inês.

A Pró-Teste defende que o governo reduza os impostos cobrados dos automóveis para incentivar a instalação de equipamentos de segurança. Montadoras foram procuradas, mas não comentaram o assunto.

No caso do rastreador, as montadoras alegam que pediram a dilatação do prazo para instalação porque faltam definir regras de operacionalidade, como a instalação das estações de rastreamento. Embora a instalação do equipamento seja obrigatória, a sua habilitação ficará a cargo do consumidor. Caso decida pela ativação, terá de arcar com os custos mensais do serviço.

No ano passado, a Volkswagen decidiu vender vários de seus modelos com o sistema antifurto, mas pouco tempo depois desistiu porque os clientes não queriam assumir a mensalidade do serviço.

O Contran defende que a medida diminuirá o número de roubos e facilitará a localização de veículos levados por ladrões.

Novos itens - Harley Bueno, da AEA, disse que novas normas estão em estudo pela Câmara Técnica para resoluções futuras. Uma delas prevê a obrigatoriedade da instalação do cinto de segurança com pré-tensionador. Em caso de colisão, o equipamento trava o corpo do ocupante e evita a sua projeção para frente, reduzindo o risco de danos físicos graves.

Outro item em estudo são vidros laminados nas laterais e na parte traseira do veículo. Hoje, eles são obrigatórios apenas no pára-brisa. Em caso de acidente, os vidros não se estilhaçam. Outra discussão envolve o encosto de cabeça para o terceiro passageiro que viaja no banco traseiro.

Todos esses itens já estão disponíveis em vários modelos fabricados no Brasil, mas, na maioria dos casos, são vendidos como acessórios, não como itens de série. Vários modelos populares, como Uno Mille e Celta, não têm itens como ABS e air bag nem como opcionais.

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