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Carro usado encalha nas revendas e preços despencam até 30%

O mercado de carros usados levou um tombo ainda maior que o de novos. Nas vendas e nos preços.

Agência Estado |

Modelos que há um mês e meio eram cotados a R$ 43 mil, caso de um Corolla 2005, hoje valem R$ 30 mil no antigo reduto de veículos usados, a Rua Barão de Limeira, no centro de São Paulo. Em pouco mais de 30 dias, a desvalorização atingiu 30%.

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os carros novos, em vigor desde o dia 12, foi mais um golpe para os usados. "Depois da medida, tivemos de cortar mais os preços", diz a gerente nacional de vendas da revenda Unidas Seminovos, Jaqueline Viccari.

Nos modelos populares, cuja alíquota de 7% foi reduzida a zero, igual porcentual foi repassado aos seminovos. Mas os seminovos já vinham de uma onda de desvalorização desde outubro, quando o mercado automobilístico brasileiro começou a sentir os efeitos da falta de crédito provocada pela crise financeira internacional.

O mestre-de-obras Geraldo Andrade de Sousa, de 55 anos, tenta vender sua Parati 2004 há dois meses. No início, pedia R$ 29 mil, R$ 3 mil abaixo da tabela. Este mês, baixou para R$ 27 mil.

No feirão de seminovos da Unidas, realizado na 6ª-feira em área ao lado do Playcenter, o carro foi cotado em R$ 20 mil. Sousa quer trocar a Parati por um utilitário, que possa ser usado no trabalho. "Há dois meses, cheguei a recusar uma oferta de R$ 26 mil", lamenta ele, que não conseguiu fazer a troca.

Concessionários afirmam que o mercado de novos, apesar da recuperação verificada nos últimos dias, continua travado por causa da falta de financiamento para os usados e das restrições das financeiras em aprovar o crédito. Grandes bancos normalmente não operam com carros usados e os pequenos e médios temem inadimplência.

"O crédito sumiu e as financeiras trabalham com uma peneira e só se enxerga o grão com um lupa", compara um dos sócios da Gianetti Automóveis, revenda instalada na rua Barão de Limeira há 42 anos. Há três meses, a loja vendia em média 50 carros por mês. Hoje, vende no máximo 10 a 15.

Pesquisa feita pela Molicar, agência especializada em varejo automotivo, mostra que, entre 5 de novembro e 17 de dezembro, a desvalorização de carros como Celta, Mille e Fiesta, todos modelos 2007 com motor 1.0 variou de 12,3% a 19,6%. No Civic, a queda foi de 20,1%.

O levantamento não leva em conta promoções de ocasião, informa Vitor Meizikas, analista da agência.

"O preço do carro seminovo estava muito próximo do novo. A crise colocou o usado no nível onde deveria", afirma Fernando Luiz Negrini, do Auto Shopping Cristal, com cinco unidades em São Paulo e venda média mensal de mil carros por shopping. "O lojista paga menos pelo carro, mas também o revende mais barato."

Estoques - Para muitos revendedores, o problema é o estoque. Calcula-se que há perto de 1 milhão de carros usados em todo o País à espera de compradores. Além de muitos deles terem sido comprados no período de alta, quando estavam valorizados, no início do ano será preciso recolher o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), um custo extra para lojistas que já reclamam da falta de caixa.

A Unidas Seminovos, empresa do grupo de locação Unidas, contabiliza mais de 4 mil carros em seus estoques. No feirão realizado ao lado do Playcenter desencalhou 10% do estoque.

Entre as ofertas estavam um Vectra Elegance 2007 - antes oferecido a R$ 47 mil - por R$ 37 mil e um Fiat Stilo 2007, de R$ 43 mil por R$ 34,5 mil. O Celta 2007 básico foi vendido a R$ 17.490. "Há duas semanas, esse carro era vendido a R$ 21 mil", afirma Jaqueline.

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