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Carro elétrico avança. Lentamente

Enquanto nos Estados Unidos, Europa e Japão as montadoras disputam uma corrida para ver quem lança primeiro um carro elétrico em escala comercial, no Brasil o tema não está na pauta da indústria automobilística. Mas, nem por isso, a tecnologia foi deixada de escanteio.

Agência Estado |

Sem alarde, concessionárias de energia tomaram para si o projeto de carros que possam ser abastecidos na tomada, não emitem poluição e são silenciosos.

A Itaipu Binacional mantém uma pequena linha de montagem na usina de Foz do Iguaçu (PR) onde foram transformados para o sistema elétrico, até agora, 15 automóveis cedidos pela Fiat. A CPFL montou em sua sede em Campinas (SP) um posto para abastecer carros e motocicletas que estão sendo testados pela companhia.

Nos últimos dois anos, a CPFL investiu US$ 1 milhão em um projeto piloto de veículos elétricos. Os estudos são feitos com o Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee)e a Unicamp. "Buscamos apoio de montadoras, mas nenhuma se interessou", diz Paulo Cezar Tavares, vice-presidente de gestão de energia da empresa.

A CPFL testa um modelo Palio montado pela Itaipu e já comprovou a economia. "O custo para rodar 110 quilômetros é de R$ 8, enquanto o mesmo percurso com gasolina custa em média R$ 21", diz Tavares.

O problema, porém, é a baixa autonomia. O plug do carro precisa ficar 8 horas na tomada para rodar entre 100 e 110 quilômetros, praticamente a distância entre Campinas e São Paulo. O custo do veículo é outra barreira, em média o dobro de um carro normal.

Outro problema, adianta Tavares, é o tipo de bateria utilizado, de níquel e metal. "Não é muito competitiva", diz. O ideal seria um novo produto com baterias similares às usadas em telefone celular, de lítio e íon. "Estamos buscando fabricantes para viabilizar uma frota com esse tipo de bateria, mais confiável."

Tavares reconhece que ainda há muitos obstáculos para o desenvolvimento de um carro elétrico comercial, a preços competitivos. Por isso, a CPFL decidiu, neste momento, concentrar esforços na motocicleta elétrica, mais acessível e com projetos mais avançados. Na semana passada, a companhia recebeu duas motos importadas de uma fabricante chinesa.

Se o produto for aprovado e se mostrar viável para o mercado brasileiro, a própria CPFL pretende importar lotes grandes do veículo e revendê-lo aos consumidores para pagamento em prestações mensais de R$ 100 a R$ 120. O custo médio de um protótipo hoje é de R$ 4 mil.

A Unicamp deverá iniciar, em breve, uma pesquisa junto aos universitários - público alvo inicial das motos elétricas - para detectar o interesse no produto e avaliar o tamanho do mercado.

Itaipu conta com parceria da montadora Fiat, que cedeu carros e instalou a linha de montagem dentro da hidrelétrica. Os 15 veículos adaptados para uso de energia nas versões Palio e Weekend estão sendo testados por várias empresas, como Eletrobrás e Coppel. Os Correios também utilizarão veículos de teste em breve.

A concessionária trabalha para conseguir um veículo que tenha autonomia para rodar pelo menos 450 quilômetros com uma carga de 15 minutos de energia. Todos os componentes usados no veículo são importados e há estudos para uma nacionalização gradativa. Só a bateria reciclável pesa 160 quilos, impondo outro desafio de reduzir esse peso.

Celso Novais, coordenador geral do projeto veículo elétrico da Itaipu, conta que o projeto mais avançado hoje é o de veículos para pequenas cargas e miniônibus, numa parceria com a Iveco (do grupo Fiat)e a fornecedora de carrocerias Mascarello. Só para esse projeto estão previstos gastos de mais US$ 750 mil. Pequenos veículos de transporte como empilhadeiras e carrinhos de campo de golfe já utilizam a tecnologia no País, desenvolvida por diferentes empresas.

A hidrelétrica de Itaipu pretende ter toda sua frota movida a eletricidade. A idéia não é só para uso interno. "Queremos tornar o carro elétrico economicamente viável para o mercado", diz Novais. Itaipu não pretende fazer os veículos, mas dominar a tecnologia e viabilizar a produção pelas montadoras. "Não há dúvidas de que os automóveis do futuro serão elétricos", afirma Tavares. "Seremos questionados por nossos netos porque demoramos tanto a utilizá-los."

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