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Na visão Roger Ingold, CEO da Accenture no Brasil, profissional deve buscar superar metas e não ter medo de provar coisas novas

Desde 2004, Roger Ingold ocupa o cargo de presidente da Accenture no Brasil, empresa global especializada em consultoria de gestão. O tempo total de casa, no entanto, chega a quase três décadas. Ele ingressou na companhia em 1982, como estagiário.

Apesar de afirmar que sua trajetória de fidelidade a uma única empresa não é exceção, Ingold diz que a ansiedade, especialmente das novas gerações, em galgar rapidamente os postos da carreira executiva faz com que os profissionais busquem novas experiências em outras companhias.

Geração Y busca mudanças, como flexibilidade, que as empresas terão de considerar
(Divulgação)
Geração Y busca mudanças, como flexibilidade, que as empresas terão de considerar
O senhor começou a carreira como estagiário na mesma empresa que ocupa atualmente o cargo de Country Managing Director (CMD). Acredita que hoje é possível uma pessoa permanecer em uma única companhia e galgar todos os postos até o topo?
Roger Ingold – Acho que é bem possível, conheço vários casos similares. Talvez, no mundo atual, isso não seja tão comum em função da ansiedade em procurar novas e diferentes experiências para solidificar logo a carreira. Na realidade, tive inúmeros empregos debaixo de um CNPJ só. O trabalho de consultoria tem essa vantagem, você muda de projeto sempre. Então, a cada três meses, por exemplo, você está com um novo desafio. Isso resulta em falta de monotonia e na possibilidade de aprender bastante. Mas é muito característico do segmento de consultoria.

Que características pessoais o senhor considera que foram essenciais para atingir o posto de CEO?
RI
– Há algumas características que te permitem subir na carreira. Eu diria que a primeira coisa é ter a vontade de fazer mais. Se alguém te dá uma tarefa ou uma missão, ter o desejo de fazer aquilo de forma diferente, melhor, sempre tentando superar o objetivo. Outra coisa é não ter medo de provar coisas novas e acreditar que isso é possível. Vontade de empreender, curiosidade e estar muito bem informado também fazem a diferença. É você quem deve contar a novidade e não os outros.

Como avalia a questão da diversidade no ambiente de trabalho? As mulheres hoje têm condições reais de chegarem ao topo e quebrarem o chamado teto de vidro, especialmente, em relação à equidade salarial?
RI
– No nosso caso, é um assunto bastante evoluído. Não existe diferença entre homem e mulher em projetos, por exemplo. Há cerca de vinte anos, havia clientes que não aceitavam mulheres. Hoje, na diretoria das empresas você vê cada vez mais mulheres. As empresas estão buscando isso e, francamente, as mulheres têm uma visão muito mais criativa e intuitiva do que os homens.

Hoje, fala-se sobre a convivência de até quatro gerações no mesmo ambiente de trabalho. Na sua opinião, quais são os principais desafios dessa convivência?
RI – A geração Y tem menos visão de longo prazo. Eles miram muito mais o momento, que é uma coisa positiva. Ao mesmo tempo, não têm medo de mudar ou perder o emprego. Então, quando falamos em carreira, acho que eles enxergam isso sob outra ótica. Devemos considerar que existe uma visão de carreira, mas que existe uma flexibilidade e uma criatividade de trabalho diferente. Acho que essa geração está quebrando paradigmas e buscando situações, como flexibilidade de horário, colaboração e trabalho remotamente, que as empresas terão de considerar.

Qual é a importância da inovação nos dias de hoje? O que torna um profissional inovador?
RI – Acho que a inovação merece uma conversa específica. Mas, o profissional inovador é aquele que tem curiosidade, vontade de fazer algo além. Ele quer achar novos caminhos. Hoje, inovar não é só descobrir um novo produto, mas empenhar energia adicional naquilo que você faz para que seja diferente e melhor. Para isso é preciso ter uma cultura que favoreça a pesquisa. Um ambiente de comando e controle, que é o de antigamente, não favorece isso.

Se o senhor tivesse 30 anos, mas com a cabeça e experiência de hoje, que erros conseguiria evitar na vida profissional?
RI
– Talvez eu tivesse começado antes a estabelecer mais relacionamentos empresariais. As pessoas com quem me relacionei na época em que era analista, por exemplo, trouxeram muitos frutos. Relacionamento é uma coisa que gera muita ideia e negócio. Outra coisa que teria feito e que tento fazer hoje é ter uma agenda de inovação paralela, não ligada ao trabalho, que vai desde visitar feiras a ler livros e ver palestras de uma forma disciplinada, que trazem novas experiências.

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