Integração entre chefes e subordinados é fundamental para não comprometer objetivos da empresa

A psicóloga Marisa Cavichioli, da Relacional, consultoria de recursos humanos e relações de trabalho, conta que, certa vez, foi chamada pela diretoria de uma empresa para avaliar as principais dificuldades enfrentadas no dia-a-dia dos funcionários. Não deu outra, com unanimidade a resposta estava ligada à postura do chefe, que não sabia pedir as coisas. A reação foi uma surpresa, já que na maioria das vezes os líderes sempre acham que têm razão, ressalta.

A falta de sintonia nas empresas não acontece apenas entre os funcionários ou as diversas áreas de trabalho. Muitas vezes, os objetivos da direção não são entendidos pelos demais níveis da empresa por despreparo dos gestores, conta José Antonio Fares, vice-presidente de relações políticas corporativas institucionais da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH).

No caso de Marisa, as reclamações dos funcionários envolviam uma dificuldade do chefe ao explicar suas metas e os resultados esperados. Além disso, os pedidos ou as repreensões eram feitas também de forma desagradável. Para resolver a situação, Marisa desenvolveu um trabalho de treinamento para capacitar o executivo.

Articular equipes que envolvem tanto profissionais de níveis inicial e intermediário quanto o alto escalão exige uma forma de trabalho específica, explica a psicóloga. Ela será diferente de uma integração teambuilding, por exemplo, mais voltada para profissionais de funções operacionais. Da mesma forma, os resultados são outros e, em geral, não envolvem aumento da produtividade, mas melhoria de desempenho.

O treinamento da liderança traz ganhos de colaboração e compartilhamento, pois envolve a sensibilização da direção para entender as necessidades internas e também dos clientes, afirma Fares. É por isso que as empresas buscam treinamentos adequados a cada área ou à responsabilidade dos participantes.

Outra alternativa é optar por um processo intensivo de integração, que envolva todas as áreas da empresa. Isso pode ser feito em diversas etapas, começando pelo presidente, até chegar ao nível inicial da carreira. Marisa trabalha com esse modelo na Relacional, sua consultoria de recursos humanos. Pelo seu método, os problemas no desenvolvimento da empresa são levados para os diretores, que definem um planejamento a ser passado à gerência, e, sucessivamente, aos coordenadores e demais funcionários, sempre com o acompanhamento dos chefes. As amarras são desfeitas de maneira conjunta, diz.

Segundo os especialistas, também é função dos executivos estar atentos ao seu movimento diante do grupo da organização. Fares diz que todo profissional é avaliado pela sua capacidade de relacionamento e integração, mas no caso dos diretores, a requisição aumenta. Um chefe precisa saber lidar com a diversidade e se articular humanamente com os funcionários.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.