Imagem de quem faz hora extra vai de competente a descomprometido

HORA EXTRA
¿ Trabalhar até mais tarde faz bem para a carreira?
¿  Trabalho em excesso pode comprometer saúde 

Acostumada a chegar ao escritório antes das 8 horas e sair depois das 20 horas todos os dias, a diretora de uma grande empresa C.P, de 34 anos, que preferiu não se identificar, conta que mais do que uma demanda grande de tarefas, trabalhar muito é um hábito.

Admito que sou workaholic, mas, no meu modo de ver, é como eu consegui chegar aonde estou. Em todas as empresas em que trabalhei, chegar cedo e sair tarde fazia parte da cultura. Quando mudei para essa nova companhia, onde os horários são mais flexíveis e todos saem na hora combinada, confesso que senti um pouco de abstinência e nem sabia o que fazer com tanto tempo livre, diz.

Cultura - Para Fernando Montero da Costa, diretor de Operações da Human Brasil, empresa de seleção e recrutamento, fazer horas extras pode contar tanto a favor como pesar contra o profissional. Vai depender principalmente da cultura da organização, aponta.

Segundo Costa, deve-se ponderar as diferenças entre os cargos operacionais e os de liderança. Nos postos mais funcionais, ficar até mais tarde é um problema estrutural da empresa, ou nas companhias que focam somente no resultado, esse profissional não tem muito o que fazer.

Ele não tem manobra para dizer não faço. Então, é compelido a ficar até mais tarde. Pode até ser que seja para agradar a chefia imediata, mas, de qualquer modo, ele terá de trabalhar mais porque o mais importante é o que se entrega.

Prejuízo - O consultor afirma que como essas horas extras geralmente não são pagas, o funcionário acaba sendo onerado. Contudo, quando há um controle mais efetivo do tempo trabalhado e as horas são pagas, ficar até mais tarde pode trazer uma imagem negativa para o profissional.

A advogada Cristiane Silvero, de 31 anos, comenta que, no escritório onde trabalhava, todos cumpriam hora extra. Às 18 horas, parecia que ninguém sabia que horas eram. Era hora de ir embora, mas como ninguém pegava as coisas e saía, eu também acabava ficando, lia e-mails, fazia outras coisas. Não queria pagar o mico de ser a única a sair no horário certo, como se isso fosse uma infração, lembra.

Para Cristiane, é uma grande hipocrisia as pessoas ficarem até mais tarde, quando não há necessidade, principalmente quando essas horas não são pagas, como era o seu caso. Eu tinha muito claro o que faria em cada dia e sempre chegava na hora. Às 18 horas, eu queria ir para casa. Nada mais justo, mas não era o que acontecia, conta.

Gestão de tempo - Claudia Carraro, sócia da Carreira & Cia, empresa que faz orientação de carreiras e gestão de pessoas, acrescenta que o funcionário pode mostrar que com as horas extras ele está querendo complementar o salário. Por outro lado, dizer que simplesmente não vai ficar até mais tarde quando é preciso pode passar uma imagem de descomprometimento. Cabe ao departamento de RH administrar isto.

Nos cargos de liderança, avalia Fernando Costa, as horas extras podem ser vistas sob duas óticas: a primeira é o líder que não consegue gerir bem o seu tempo e não sabe delegar tarefas. Desse modo, ele fica até mais tarde, e isso pode lhe render uma imagem negativa. A segunda, são os líderes viciados em trabalho seja porque incorporaram a cultura da empresa, seja porque veem no excesso de horas a sua motivação. 

Claudia Carraro afirma que se essa questão incomoda o colaborador, ele deve conversar com seu gestor ou o setor responsável. Mas se for um problema cultural, a pessoa deve pensar bem sobre seus valores e procurar outro lugar para trabalhar, crava.

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