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Ainda que algumas firmas sejam tolerantes, profissional pode ser prejudicado

Discrição e bom senso são pedras de toque no mundo corporativo. Elas valem para todos os aspectos da vida profissional, especialmente, no que se refere à aparência. Nesse sentido, tatuagens, piercings e modificações corporais são toleradas desde que não sejam evidentes.

Para Karla Mara Alves de Oliveira, consultora de Planejamento de Carreira da Ricardo Xavier Recursos Humanos, desenhos pelo corpo são mais aceitos no mundo artístico. Por isso, antes de ir para uma entrevista de trabalho, não hesite em retirar os piercings e esconder as tatuagens, recomenda.

Especialmente, se você não conhece a cultura da empresa. Aqui em Minas Gerais, 80% dos recrutadores ainda são mais conservadores e a tatuagem quebra a imagem de seriedade que deve ter um profissional, comenta Karla.

Tolerância - Já Fernanda Montero, consultora da Cia de Talentos, diz que hoje há uma tolerância maior em relação a tatuagens. Mas, ainda depende muito da cultura da empresa. Há aquelas que estão mais acostumadas à diversidade e as que são mais conservadoras. Sempre damos um toque para o candidato, se puder, usar uma blusa mais fechada, esconder os piercings, diz.

Para o piercer e modificador corporal Luciano Iritsu, do Iristu Tattoo , o preconceito em relação a tatuagens está diminuindo e deverá diminuir cada vez mais. Acho que há uma transição de gerações. Mas, claro que ainda há quem tenha receio. Pessoas de 40 anos ainda ficam inseguras em relação às pessoas tatuadas ou com modificações. As de 60, 70 anos ainda olham com medo, diz.

Ele comenta que os clientes que trabalham em profissionais mais formais procuram fazer os desenhos ou as modificações em locais onde seja fácil esconder.

Discreta - Foi o caso da advogada Rita de Cássia dos Santos, de 35 anos. Quando eu fiz minha primeira tatuagem estava no primeiro ano da faculdade de Direito, e como eu já conhecia o conservadorismo que envolvia a carreira, resolvi fazer tatuagens pequenas e em lugares não tão visíveis, conta ela que tem quatro pequenas tatuagens.

A advogada comenta que nunca sofreu preconceito por conta disso, mas lembra que teve um colega que tinha um escorpião grande no braço e o removeu a laser quando se formou. Seu pai era dono do escritório onde ele trabalhava e achava que aquela tatuagem não era condizente com a profissão.

Chifres - Se um grande escorpião no braço pode ser considerado inadequado para uma carreira mais formal, que dirá chifres de silicone implantados na testa ou outras modificações corporais como alargadores na orelha e no nariz.

Para a consultora Karla Mara, essas modificações são chocantes e quem as faz, talvez, nem queira uma rotina profissional séria. A pessoa fica com uma feição distorcida, mostra que ela não se aceita como é e isso pode prejudicar o trabalho dela e dos outros, explica.

Fernanda Montero acrescenta que por serem mais visíveis, essas modificações sempre são impactantes. Não há como não ter uma primeira impressão sobre isso, conclui.

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