Tamanho do texto

Profissional deve tomar alguns cuidados para preservar a imagem durante o processo

Ao longo dos últimos seis anos, o publicitário Michael Ferreira, de São Paulo, já mudou de trabalho três vezes. Quanto à empresa, ela é sempre a mesma. Essa movimentação, que permitiu ao profissional ocupar postos em diferentes áreas, é resultado de uma política de recrutamento interno estabelecida pela empresa.

O recrutamento interno, seja ele instituído por meio de processos estruturados - mais comum em grandes companhias - ou realizado de forma menos formal, traz boas oportunidades para o profissional que busca mudar de posição sem sair da empresa.

"Oportunidades internas não são tão comuns, por isso o funcionário deve aproveitá-las", afirma a gerente-geral da Right Management no Brasil, Elaine Saad. Apesar das vantagens, como já conhecer a cultura da empresa, a candidatura a uma vaga interna exige cuidados especiais.

Abra o jogo com seu chefe

Transparência em relação à chefia é o ponto fundamental do processo. A primeira coisa que o funcionário deve fazer ao detectar uma oportunidade interna é conversar com o superior direto e discutir as possibilidades. Dessa forma, ele pode explicar as razões que o levaram a se interessar pela vaga e até contar com a colaboração do chefe. "Se não ficarem claros os motivos do profissional, isso pode gerar mal-estar", diz Elaine

De acordo com a especialista, uma conversa clara com o chefe evita fofocas na área e possíveis constrangimentos por parte do departamento para o qual a pessoa pretende mudar. "Se o processo não é bem conduzido, o profissional pode ficar com a imagem marcada como aquele que traiu o chefe ou o abandonou", explica Elaine.

Profissional deve comunicar primeiramente seu chefe direto sobre o interesse na vaga
Divulgação
Profissional deve comunicar primeiramente seu chefe direto sobre o interesse na vaga
Para Michael Ferreira, que já participou de dois recrutamentos, o que lhe garantiu mudar de cargo duas vezes, a conversa franca como a chefia foi muito positiva e ele teve apoio total para seguir no processo. “O diálogo é importante, pois nesses momentos, normalmente, temos feedbacks do trabalho, que auxiliam na definição da carreira”, afirma. “Já vi colegas não participarem de seleções internas após, na conversa com o líder, perceberem que aquela poderia não ser uma boa oportunidade.”

Seleção

É importante saber que, assim como em qualquer outra situação, o recrutamento interno prevê um processo de seleção em que podem concorrer diversos candidatos. Isso significa que o profissional deve estar preparado para um retorno negativo.

Ferreira conta que os processos dos quais participou envolveram a autorização do chefe direto e a validação do currículo pela área de Recursos Humanos, para verificar se a pessoa atendia os requisitos da vaga, além de dinâmicas e entrevistas. Outro aspecto importante é que o profissional precisava ter alcançado resultado positivo na avaliação de desempenho.

Na opinião de Elaine, participar da disputa por uma vaga interna pode acarretar em algum risco. "Isso pode gerar questionamento quanto à motivação do profissional, mas se tudo acontece às claras, esse risco é bem reduzido."

Não atire para todos os lados

Outro ponto de atenção nos recrutamentos internos é escolher com cuidado as vagas para as quais se candidatar. "Se atirar para todos os lados fora da empresa já não é bom, quando isso acontece dentro da companhia o profissional pode ficar muito exposto", alerta Elaine.

Se candidatar a muitas vagas também pode demonstrar insatisfação, além de desgastar a imagem junto aos colegas, ao chefe e até em relação aos líderes de outros departamentos, que passam a ver o funcionário como inquieto.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.