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Paulo Gaudencio diz que terapia ajuda em relacionamento entre colegas

Se o clima no ambiente corporativo está ruim, pode ser hora de fazer uma terapia: em grupo e na empresa. Segundo o psiquiatra Paulo Gaudêncio, proprietário do Instituto que leva seu nome, as empresas têm notado que o ser humano é o capital mais importante da companhia e, como tal, precisa de cuidados especiais.

As empresas que contratam esse serviço são aquelas que descobriram que o ser humano quando tratado como tal, tendo respeitada a sua dignidade, é mais produtivo. O número de empresas que tem descoberto isso tem aumentado, aponta.

Confira a entrevista concedida ao iG por telefone:

iG ¿ Como funciona essa terapia no trabalho e quando esse tipo de serviço é solicitado?
Paulo Gaudencio ¿ Primeiro, não é terapia no trabalho, mas terapia do papel profissional. É tratar das emoções que interferem na execução do papel profissional. Uma das condições para a gente ter um bom nível de produtividade é ter um bom ambiente na equipe. Quando a gente tem um ambiente ruim na equipe, a gente contrata alguém para fazer uma terapia do relacionamento na profissão. Basicamente não precisa ser todo mundo irmão, todo mundo não precisa se amar, mas todo mundo precisa atuar de forma a respeitar o outro. 

iG ¿ Como funciona esse tipo de terapia? De que maneira a pessoa se sente à vontade para explicitar que tem um problema de relacionamento com um colega?
Gaudencio ¿ Isso é uma coisa que vai sendo conquistada. Eu não consigo ter um bom resultado se não houver confiança. E o que é confiança? Existem duas formas de definir confiança. A primeira forma significa que se faço um bom trabalho, confio que o próximo também será bom. Não é a forma que uso em grupo. A forma que uso é: eu posso mostrar as minhas fragilidades que isso não vai ser usado contra mim futuramente. Isso vai sendo conquistado. Por isso, na primeira reunião não acontece nada. Acho que a coisa mais importante na formação de uma equipe é o feedback entre as pessoas. Então, meu trabalho é conseguir fazer com que haja feedback na equipe. Uma coisa que percebi é que o feedback é mais fácil entre o diretor e os subordinados. E que o feedback mais difícil é entre os subordinados. A gente leva algum tempo para conquistar isso. Geralmente uns seis meses, no mínimo. 

iG ¿ Os funcionários são obrigados a participar? Como funciona esse tipo de convite?
Gaudencio ¿ Ele não é obrigado. Mas, a recusa de participação provavelmente pode prejudicá-lo. O que vejo nas empresas é que todo mundo é convidado e todo mundo vai às reuniões. Alguns participam. Agora, com o evoluir da coisa, todo mundo acaba participando. Isso depende da pessoa que está conduzindo as reuniões. De ela conseguir fazer com que todo mundo dê o feedback devido.

iG ¿ Esse tipo de serviço tem aumentado nesses últimos anos e por quê?
Gaudencio ¿ Tem aumentado sim porque as empresas acabaram descobrindo que ter bom ambiente na equipe é produtivo. A empresa não contrata a gente por sermos simpáticos. As empresas que contratam esse serviço são as que descobriram que o ser humano sendo tratado como tal, tendo respeitada a sua dignidade, é mais produtivo. O número de empresas que tem descoberto isso tem aumentado. 

iG ¿ Isso também tem a ver com o custo da empresa? Demitir alguém é mais caro do que tentar resolver esses problemas de clima organizacional?
Gaudencio ¿ Sim, é mais barato fazer esse tipo de trabalho do que demitir.

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