Francisco Valim aponta que é preciso cooptar as pessoas para decidirem junto

O iG estreia hoje a seção Caminhos de um CEO , na qual entrevistará mensalmente o presidente de uma grande companhia para falar sobre os desafios do cargo e sobre a carreira como um todo.

O primeiro convidado é o presidente da Experian para Europa, Oriente Médio, África e América Latina, Francisco Valim, que é ex-presidente da Serasa Experian na América Latina. O executivo fez Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e possui pós-graduação em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) e em Planejamento Estratégico e de Organizações pela UFRGS. Também detém um MBA em Finanças e Administração de Companhias Multinacionais pela University of Southern Califórnia, em Los Angeles. 

Confira a entrevista exclusiva que ele concedeu ao iG por e-mail:

iG -  Qual é o peso da responsabilidade de ser um CEO para quatro continentes?
Francisco Valim - É o peso de lidar com o bem maior de uma companhia, as pessoas. Aprender a fazer mudanças em ambientes multiculturais é um processo evolutivo, no meu caso. Comecei a aprender desde cedo sobre esse processo multicultural quando fiz mestrado e MBA. É absolutamente importante entender as culturas, nos mínimos detalhes. Por exemplo, saber como o jeito de se vestir acaba impactando o processo de comunicação e, a partir disso, comunicar-se adequadamente com cada público. Hoje, na Experian, que é um grupo multinacional com sede na Irlanda e um grande contingente de executivos, temos uma miscigenação interessante. Isso requer habilidade no trato e no processo de comunicação. É tudo um processo de aprendizado evolutivo, não tem fim. Você sempre pode se aprofundar um pouco mais.

iG - Em sua trajetória profissional, que situações o senhor considerou mais desafiadoras?
Valim - Sempre acho que o atual desafio é o maior. O penúltimo, a presidência da Serasa Experian, foi bastante desafiador. A diferença maior entre a Serasa Experian e a Net, meu trabalho anterior, foi a da velocidade da mudança necessária. Quando você está em uma empresa com dificuldade financeira, não precisa explicar a ninguém que precisa ser rápido, isso é uma mensagem que fica subliminar o tempo todo. E a predisposição das pessoas à mudança é muito maior na crise, porque a situação sempre pode ficar pior, então elas anseiam por qualquer mudança que seja em uma direção positiva. Já em uma empresa de sucesso, como o caso da Serasa Experian, você tem de mostrar as razões pelas quais uma mudança precisa ser executada. Esse é um processo de cooptação que demora um pouco mais tempo, exige mais elaboração na comunicação, porque as mudanças são em nome de um futuro que não é sentido. Some-se a isso a crise econômica mundial. Conseguimos crescer em meio a uma crise, apostando em vendas.

iG - O que é necessário para que um profissional tenha sucesso na carreira?
Valim - Sou otimista por definição: sempre acho que as coisas podem melhorar. Acho que isso simplifica tudo. Eu acredito em uma gestão com a participação das pessoas. Acredito firmemente que a coletividade das competências é que consegue chegar à melhor solução. Além disso, quem faz as coisas por ter sido mandado tende a ficar insatisfeito e a não fazê-las direito. E aí a probabilidade de que dê errado aumenta. Eu penso: quanto mais alto se está em uma organização, menos se manda; mais é  preciso cooptar as pessoas para decidirem junto.

iG - O senhor poderia citar um livro que realmente fez sentido para a sua vida profissional?

Valim - A vida profissional é uma caminhada. Em cada fase encontrei nos livros sempre uma fonte de conhecimento. Eu não teria um livro para citar, mas sim o hábito da leitura.

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