Presidente da Dudalina diz que inovação é necessidade de executivos

Com mais de 1300 colaboradores, sendo 77% deles mulheres, a Dudalina é, hoje, uma das principais exportadoras de camisas masculinas de tecido da América Latina. Com sede em Blumenau, Santa Catarina, a empresa é comandada por Sônia Regina Hess de Souza, desde 2003.

Sexta filha em uma família de 16 irmãos, Sônia foi escolhida para dirigir a empresa familiar. Este ano, ela também assumiu a presidência do Grupo de Mulheres Líderes Empresariais (Lidem). Para ela, as mulheres têm todas as possibilidades de conseguir assumir postos de liderança, por estarem mais preparadas. Basta quererem, diz.

Confira a entrevista que ela concedeu à seção Caminhos de um CEO , por telefone:

iG - Por ser uma empresa familiar, assumir o posto de CEO da Dudalina foi mais fácil ou mais difícil do que seria em uma empresa não-familiar?
Sônia Hess - Apesar de sermos em 16 irmãos, apenas quatro trabalhavam dentro da empresa. E como eu estava há mais tempo, tinha mais experiência, o conselho me convidou para ser a presidente e eu aceitei. Não sinto que foi mais difícil por ser uma empresa familiar.

iG - E sobre a questão de uma mulher ocupar um posto de comando no Brasil, é difícil?
Sônia - Eu acho que não. Acho que é difícil a mulher chegar a ser presidente. Mas após ela conquistar esse cargo, ela é tranquilamente respeitada, consegue trabalhar, consegue reverter o papel dela muito bem.

iG - A senhora é também presidente do Grupo de Mulheres Líderes Empresariais (Lidem). Quais são os objetivos desse órgão?
Sônia - O Lidem é um dos braços do Lide, que abriga todos os empresários, mas nosso tema são as mulheres. O grupo é formado por mulheres que ocupam postos de comando nas empresas e discutem como comandar os seus negócios. É muito interessante porque o nosso tema é inovação. Esse ano será todo focado em inovação.

iG - Quais são as características que a senhora admira em um profissional?
Sônia - Primeiro, o profissional tem que gostar do que faz, atualizar-se constantemente, ter brilho no olhar. Porque, às vezes, ele até gosta do que faz, se atualiza, mas não tem brilho, não tem vontade. E eu acho que isso é bastante importante.

iG - Quais são os principais desafios que a mulher que ocupa um posto de comando enfrenta nos dias de hoje?
Sônia - Se atualizar. A palavra inovação é chave no mundo dos negócios. Estar preparada para as mudanças que vão acontecer. E as mulheres têm de ter coragem para entrar nesse mundo que ainda é muito masculino. Esse não é um problema dos homens, mas das mulheres. De elas terem vontade de chegar ao topo das empresas, de participarem dos conselhos de administração, de participarem do mundo de negócios mesmo. As mulheres estão mais preparadas, mas em nível de diretoria não chegam a 20% e presidência, 5%.

iG - Muitas comentam que a dificuldade de conciliar a vida doméstica é um desses impeditivos. A senhora concorda?
Sônia - Eu sou filha de uma mulher que teve 16 filhos, educou 16 filhos e construiu uma empresa. Ela foi a empreendedora. Então, para mim, dá para conciliar, sim. O problema é querer conciliar, ter vontade.

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