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Empreendedor por necessidade corre mais riscos

Crise estimula abertura de pequenas empresas, mas a decisão é arriscada para quem não tem experiência gerencial. Consultor do Sebrae-SP dá dicas para minimizar falhas

Andreza Emília Marino |

Eduardo Oliveira, de São Paulo, trabalhava há alguns anos como consultor de Informática. Estava empenhado em abrir uma franquia de salão de beleza para complementar a renda quando foi demitido. A situação inesperada foi um catalisador para a decisão de abrir o próprio negócio. Oliveira tentou se capacitar para ter mais afinidade com o tema. A intenção inicial era que ele fosse gerenciado por outra pessoa. Dada a necessidade, ele mesmo precisou arregaçar as mangas e dar expediente na loja. Não muito tempo depois, com o movimento em queda, e porque ele havia se recolocado, fechou o salão.
 
Histórias como essa são comuns no Brasil, como demonstrou a última pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), divulgada em 2007. Quase metade dos empreendedores do país (43%) o faz por necessidade. Ele empreende porque não tem outra opção, e não por vocação ou porque achou um nicho de mercado para explorar, explica Paulo Alberto Bastos Junior, analista técnico da pesquisa GEM Brasil. Pelo estudo, percebe-se que essas pessoas, geralmente, encerram as atividades assim que conseguem outra chance no mercado.
 
Números como esses ficam ainda mais evidentes em períodos em que há retração dos postos de trabalho. Após a demissão, alguns trabalhadores optam por investir as verbas rescisórias em um negócio próprio. São os chamados empreendedores por necessidade.

Para Dieter Kelber, diretor-executivo do Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual (Insadi), em crises anteriores já houve aumento semelhante no número desses empreendedores. Kelber faz um alerta: o candidato a empreendedor deve antes verificar se gosta do que vai fazer e se entende do assunto. É preciso saber também se a pessoa sabe ser empresário. Precisa liderar, lidar com funcionários e ter em mente que, muitas vezes, trabalha nos fins-de-semana, demora a tirar férias, o que não acontecia quando era empregado, diz. Negócio próprio é decisão séria não e pode ser encarado como substituto para quem está desempregado.

O ambiente para pequenas e médias empresas no Brasil é bastante hostil. De acordo com dados do Sebrae-SP, 29% das pequenas e médias empresas criadas no Estado fecham as portas apenas um ano depois de iniciar as atividades.

Para Antonio Carlos de Mattos, gerente de consultoria empresarial do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), o empreendedor por necessidade corre muitos riscos por não conhecer todos os aspectos da vida de empresário. Ele explica que os candidatos a patrão devem considerar quatro pontos antes de investir capital e tempo na abertura de um empreendimento.

Modere as expectativas
O primeiro erro de quem quer ser patrão de si mesmo é criar a expectativa de ter a mesma renda de quando era funcionário. Em tese, uma empresa é um investimento e o retorno é proporcional a esse investimento, conta. Ele dá o exemplo de quem tem um carrinho de cachorro-quente. Há limite para a geração de receitas. Se o dono quer ganhar mais, precisa ampliar o negócio, seja comprando mais um carrinho ou contratando alguém.

Venda sempre
Qualquer que seja o negócio, é fundamental que tenha compradores sempre, e não só enquanto ele é novidade. Passada a empolgação inicial, o desafio é tornar o produto atraente. Trata-se de uma questão delicada, sobretudo porque o iniciante, normalmente, não lidava com clientes e fornecedores. A sugestão é descobrir as melhores maneiras de aproximar-se do cliente. Para isso, analise tudo e pense como cliente, ensina.

Cuidado com o dinheiro
Quem era empregado estava acostumado a receber salário em determinadas datas do mês. Isso muda quando ele se torna empresário. Vender significa receber dinheiro frequentemente ¿ e é exatamente esse o problema. Esse dinheiro não é dele ainda. Deve ser usado para pagar fornecedores, funcionários, impostos e custos fixos, avisa Matos.

Volume é tudo
O empreendedor por necessidade costuma se empolgar com o lucro de outras pessoas na hora de decidir o que fazer. Ele ouve falar que um distribuidor de água mineral compra o produto a R$ 1 e vende por R$ 3. Sem dúvida, é um lucro maravilhoso. Mas se ele vender apenas um garrafão, nada feito, explica.

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