É inconveniente bisbilhotar o salário de colegas ou divulgar o quanto se ganha, afirmam especialistas

Falar sobre a remuneração no ambiente de trabalho pode ser constrangedor, afirmam especialistas. Tanto é que uma brincadeira popular diz que o bolso é uma das partes mais sensíveis do corpo humano. Salário deveria ser sempre um assunto confidencial, explica o consultor do Instituto de Organização Racional do Trabalho (Idort), Davi Carlessi.

As pessoas nas empresas sabem mais ou menos quanto todos ganham, pelo menos têm uma noção. Querer saber o detalhe é invasão de privacidade, afirma Christian Mattos, da Watson Wyatt, consultoria especializada em RH e remuneração. Segundo ele, tentar descobrir qual o salário de um colega é errado, já que nenhuma empresa mudaria sua estratégia de remuneração a partir da comparação com uma única informação de mercado. Esse tipo de comportamento, se descoberto, revelará imaturidade para lidar com o assunto, complementa.

De acordo com o consultor, se o objetivo é tentar evitar fofocas no corredor, as empresas devem trabalhar a comunicação para mostrar que não há nenhum jogo obscuro por trás das políticas de remuneração. Salário é uma questão polêmica, de uma maneira simples, todos que exercem a mesma função e têm o mesmo desempenho deveriam receber o mesmo salário, diz Carlessi, mas outros aspectos são levados em conta e nem todos têm critérios objetivos.

Isso porque a remuneração envolve a busca de um equilíbrio externo ¿ ou seja, uma remuneração condizente com o mercado competidor ¿ e interno, no que diz respeito aos interesses da organização e a importância relativa do profissional para o negócio. O ideal seria se a liderança soubesse compartilhar com os funcionários essa visão do RH, explica o consultor da Watson.

Saia-justa ¿ Os conflitos que envolvem a questão salarial podem ser maiores ou menores, dependendo de como o assunto for tratado, dizem os especialistas. De modo geral, não é recomendado comentar o quanto se ganha. Cria uma animosidade que pode ser evitada, diz a consultora de etiqueta Célia Leão. Para escapar da saia-justa causada pela pergunta indiscreta de alguns, ela diz que vale a pena recorrer a uma resposta clássica: Talvez eu receba mais do que eu preciso para viver, mas é menos do que eu mereço.

Se um colega perguntar, e você imagina que ele receba um salário parecido com o seu, a resposta mais indicada é dizer: É provável que ganhemos a mesma coisa. Caso ele insista ou se trate de um colega que você não pode imaginar o salário, a melhor resposta é: Se você não se incomodar, gostaria de deixar esse assunto em particular, sugere Carlessi.

Reclamar do salário com os colegas é outra atitude que deve ser evitada. Não se chega a lugar nenhum com isso, garante Mattos. Agindo assim, você estará depondo contra você mesmo, acredita Célia, pois um profissional insatisfeito, mas qualificado, coloca o seu currículo para rodar e arranja um emprego que pague mais.

Para o consultor da Watson, a melhor maneira de questionar o salário é tentando abrir uma discussão transparente com o gestor. A princípio, não há problema nenhum em apontar uma percepção de que sua remuneração está abaixo de outros profissionais do mercado, garante. No entanto, na hora de negociar, apenas cite o caso de um colega de maneira geral, para não expor nenhuma das partes. O profissional elegante cuida de seus ganhos e do seu desenvolvimento, diz a consultora.  

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