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Profissão: puxa-saco

Bajulação é diferente de marketing pessoal. Chefe deve saber valorizar o profissional pelas competências e evitar interesseiros

Rachel Sciré |

Tentar agradar é um comportamento natural do ser humano. No ambiente de trabalho, no entanto, essa postura pode ser comprometedora. Há uma linha muito tênue entre o marketing pessoal e a bajulação, afirma o consultor de empresas A.J.Limão, professor do Instituto de Organização Racional do Trabalho (Idort/SP).

Segundo ele, há funcionários que assumem uma postura de puxa-saco por insegurança ou por interesse. A bajulação acontece, principalmente, em profissionais que precisam gerar resultados. Demonstrar apoio total ao chefe pode ser uma forma de se firmar na organização, ainda mais em empresas com aspectos paternalistas, como é o caso de muitas firmas brasileiras, explica Limão.

O grande problema é que há chefes que gostam de uma postura que reverencia a importância de sua posição, diz o consultor. É aí que ser puxa-saco pode render alguns privilégios. O que deve valer é a competência, mas eu mesmo já vi pessoas ganhando espaço e tirando proveito da amabilidade com os gestores, comenta Limão.

Cabe ao líder avaliar a produtividade e o desempenho a partir dos resultados e tratar todos os funcionários de maneira igual. E, de acordo com o especialista, não há como barrar colegas interesseiros, já que isso pode soar como inveja. Recomendo que a pessoa faça bem seu trabalho e mostre seu valor. Caso isso não seja suficiente, busque outras oportunidades no mercado, fala Limão.

Ele também conta o caso, presenciado dentro de uma empresa multinacional, de um puxa-saco que se deu mal. O colega destoava da equipe, procurando justificar sua opinião a sós com o diretor e quebrando a harmonia do grupo. O líder então percebeu que não podia sacrificar o time em nome de um profissional e o afastou.

Salvando a pele - Durante a crise, Limão acredita que o número de bajuladores dentro das empresas deve aumentar. Um estudo realizado recentemente pelo professor e pelo Idort indicou que o nível de engajamento das pessoas dentro das empresas fica em 21%. Ou seja, apenas esse percentual veste a camisa da organização e se compromete com seus objetivos específicos.

Para ele, é comum que as pessoas agora comecem a valorizar mais os interesses da empresa, o que pode ser proveitoso para revelar potencialidades de alguns funcionários. Os não-engajados vão querer se destacar para salvar a pele e se isso não acontecer pela competência, será pela bajulação, complementa.

Da mesma maneira, espera-se que as pessoas invistam mais no marketing pessoal e, para isso, atinjam o público-alvo, que é o chefe. Para conviver com o clima dentro da organização, não há muito o que fazer, avalia o consultor, até porque não é estratégico provocar confrontos e grandes mudanças neste momento. O jeito é engolir seco, diz.

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