Consultores explicam qual o período ideal para permanecer em um emprego sem parecer acomodado ou inquieto demais

Christiane Pereira* trabalhou por oito anos na área de Tecnologia da Informação de um grande hospital, em São Paulo. Disposta a viver novas experiências profissionais, passou no processo seletivo de uma multinacional que atua na área médica. A partir desse momento, só houve decepções: ela não se adaptou à filosofia da empresa e não foi bem recebida pelos colegas, que, segundo ela, não colocavam em prática os conceitos de trabalho em equipe.

Por estar descontente, Christiane vem participando de entrevistas e testes para outros locais. Numa dessas, foi questionada pelo recrutador por que quer deixar o atual posto depois de apenas seis meses, já que a contratante prefere relacionamentos longos. A melhor resposta para esse tipo de questionamento é dizer que não se adaptou à cultura organizacional da empresa, explica Luciana Pimenta, diretora de consultoria da Franquality, especializada em desenvolvimento de competências. Não convém falar muito mais do que isso, sob o risco de não parecer um profissional ético, complementa o headhunter Renato Bagnolesi, da Robert Wong Consultoria Executiva.

Sendo assim, o que os colaboradores devem levar em consideração quando fazem o planejamento de suas carreiras? Ficar muito tempo numa mesma empresa pode significar acomodamento? Ao mesmo tempo, mudar várias vezes de emprego pode denotar um perfil pouco confiável?

Não é raro os recrutadores torcerem o nariz quando existem experiências de curto período, entretanto, segundo a consultora da Franquality, é preciso cautela para avaliar cada situação. Depende da cultura da empresa. Existem aquelas que apreciam os funcionários que assimilam os valores da organização e crescem junto com ela. E há aquelas que acham que múltiplas experiências tornam o colaborador mais versátil e completo.

O que é complicado, segundo os especialistas, é ficar muitos anos na mesma função. O ideal seria que, a cada dois anos, em média, houvesse mudanças nos desafios. Quando a pessoa não se sente impelida a mudar, nem a assimilar novas tarefas, pode ser que apresente traços de acomodação. É preciso estar atento ao que traz benefícios para a carreira e a empregabilidade, diz Luciana. Além disso, se o profissional muda de função ou recebe promoções, é quase como se ele tivesse passado por empresas diferentes a cada período.

Por outro lado, para Bagnolesi, ficar pouco tempo não quer dizer, necessariamente, personalidade instável. Há companhias que preferem pessoas que passaram por diversas culturas e que têm variadas experiências. Para elas, esse pessoal é mais adequado e com mais bagagem, cita o analista da Robert Wong.

*O nome foi alterado a pedido da entrevistada.

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