Nos últimos quatro anos, remuneração dos executivos, em dólar, cresceu cerca de 50%, o que também se deve à valorização do real

O panorama salarial para 2011 deve ser positivo. Ao menos são esses os indícios apontados por uma pesquisa realizada pela consultoria Towers Watson. De acordo com o levantamento, cerca de 44% dos mais de 330 mil funcionários entrevistados acreditam que haverá reajuste acima da inflação nas negociações salariais no próximo ano. Em 2009 esse número era de 22%. Além disso, 53% apostam na reposição plena da inflação.

O levantamento, que envolveu 314 empresas de mais de 16 segmentos mostra que enquanto a remuneração no mercado norte-americano cresceu 10% nos últimos quatro anos, os salários dos altos executivos no Brasil tiveram um aumento de quase 20%. O estudo destaca que o reajuste acompanhou de perto a inflação acumulada no mesmo período, mas ressalta que quando o parâmetro é o dólar, a evolução do mercado local atingiu quase 50%, resultado da variação cambial positiva do real frente à moeda americana.

Quando considerado o período de junho de 2009 a maio de 2010, o levantamento indica que os acordos coletivos propiciaram ganhos reais entre 1% a 2,5%, sendo que em alguns setores específicos, os sindicatos obtiveram reajustes acima de 3% da inflação, situação que deve se repetir nos próximos anos.

Graças aos avanços das promoções, os aumentos individuais foram elevados nos níveis profissional e executivos, chegando a 24% de crescimento no salário entre os promovidos.

Número de empresas que oferece programas de incentivo de longo prazo é crescente
SXC
Número de empresas que oferece programas de incentivo de longo prazo é crescente
Remuneração variável

As empresas distribuíram cerca de R$ 1,16 bilhão, entre bônus e distribuição de lucros, a seus executivos em 2010. O montante corresponde a 97% do esperado, que era de R$ 1,2 bilhão caso todas as metas fossem atingidas.

O setor de bens e consumo foi o campeão de distribuição, alcançando 135% acima do esperado, seguido pela área de equipamentos hospitalares e de eletroeletrônicos, ambos com distribuição de bônus 107% acima do previsto, e pelo setor farmacêutico, em que os bônus atingiram 106% da meta.

Já as indústrias automotiva e agroquímica estão entre as que ficaram mais longe da meta de distribuição, pagando 60% e 70% do esperado, respectivamente.

A pesquisa indica ainda que há um aumento gradativo no número de organizações com programas de incentivos de longo prazo. Hoje elas representam 42,4%. Entre as estrangeiras esse porcentual atinge quase 50% e entre as brasileiras 26%. Embora apenas 25% das empresas brasileiras possuam um programa de incentivo de longo prazo, é observado um crescimento rápido desse tipo de remuneração entre as companhias nacionais.

Benefícios

O levantamento indica que nos últimos 12 meses, nenhuma empresa cancelou benefícios significativos nem reduziu o nível oferecido. No geral, há uma manutenção dos esquemas de compartilhamento dos custos entre empresa e colaborador.

Os benefícios mais praticados são respectivamente: assistência médica, seguro de vida, assistência odontológica, previdência privada e automóvel designado. Para contenção dos custos, continua sendo utilizada a negociação de contratos com fornecedores.

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