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Carreiras
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Os altos e baixos da carreira de operador da bolsa

Saiba como é o dia-a-dia dos profissionais, responsáveis pela compra e venda das ações

Rachel Sciré |

É só falar em crise financeira que as bolsas de valores desabam, oscilam, disparam. No meio desse vai-e-vem estão os operadores, profissionais contratados por bancos e corretoras de valores para realizar negócios com as ações compradas e vendidas ao longo do pregão.

São as figuras que aparecem gritando com telefones em punho ou desesperados com os resultados do colapso dos mercados. E a tensão não é para menos. A função de um operador é cantar o mercado, ou seja, transmitir para a corretora e para o cliente o que está acontecendo na bolsa.

Ao mesmo tempo, ele recebe ordens de compra e venda, que precisam ser executadas antes que o concorrente arremate o negócio ou o mercado mude. Trabalhar com o dinheiro alheio é lidar com a parte mais sensível do ser humano, afirma Paulo Roberto da Silva, 55 anos, 36 deles dedicados à profissão de operador.

Silva começou como auxiliar de pregão, quando a bolsa de valores atuava basicamente com o mercado local e a maioria das operações acontecia no modelo viva-voz. Hoje, a bolsa chega a movimentar 400 mil negócios e R$ 5 bilhões num único pregão. O crescimento trouxe modernização às negociações, que passaram para o computador, em um sistema eletrônico chamado Megabolsa. Apenas os mercados de índice e dólar futuro resistem à tecnologia e contam com 647 operadores credenciados para o pregão viva-voz.

Se dentro das corretoras não há mais o contato direto com os concorrentes e toda aquela gritaria, a adrenalina continua. O sistema on-line expõe o mercado de maneira transparente e requer mais agilidade dos operadores para fechar negócios. Da mesa de operações, eles acompanham a evolução dos mercados, atendem a várias pessoas na linha, respondem e-mails, ficam de olho nas notícias ¿ tudo simultaneamente. É necessário o máximo de frieza possível para executar com segurança os negócios de seu cliente e não se deixar afetar pelo nervosismo, conta Silva.

O mercado de trabalho dos operadores fica em São Paulo ¿ das 81 corretoras cadastradas no site da BM&FBovespa, quase todas têm sede no bairro do Itaim, zona sul da capital paulista. Muitas possuem filiais pelo País, como a Planner, em que Silva atua. Ela atende em São José dos Campos (SP), Campinas (SP), Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília, entre outras cidades

Oscilações constantes - No mercado financeiro, nenhum dia é igual ao outro, explica Christian Colombo, 32, operador da corretora Fator. O trabalho desses profissionais começa por volta das 9 horas, quando eles se reúnem nas corretoras para analisar o cenário econômico, a partir do comportamento das demais bolsas e de informações de empresas e governos. O pregão começa às 10h e encerra às 17h (no horário de verão, das 11h às 18h).

Durante este período, a concentração no computador é total. Quem não pode revezar as funções com um colega, almoça na própria mesa. O dia termina depois do after market (tempo extra para negociações, que vai até às 19h) e de conferir as operações realizadas. A pessoa precisa estar disposta a não se sentir incomodado com o estresse. O trabalho é muito desgastante, mesmo que se fique o tempo todo sentado, afirma Colombo.

O dinamismo é destacado pelos operadores como a principal característica da profissão, já que o operador precisa estar atento a tudo que acontece no mundo e refletirá na economia, para informar aos clientes, sem pânico. Você passa a entender o humor dos mercados e das pessoas diante das perdas e ganhos, diz Silva.

Para trabalhar na área, o ideal é começar como estagiário em instituições financeiras. São requisitados profissionais de Economia, Administração e até Engenharia, já que o uso da matemática é imprescindível. Qualquer erro no mercado financeiro representa dinheiro jogado no lixo, lembra Colombo.

Os operadores de bolsa também precisam passar por um exame de certificação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com Silva, que hoje atua como assessor comercial na Planner, o salário de um operador com experiência gira em torno de R$ 3 mil e R$ 5 mil. Há ainda chances de crescer na carreira e receber bônus por operações bem-sucedidas. Os mais jovens conseguem suportar melhor a pressão, explica.

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