Empresas usam essa opção de treinamento para simular situações complicadas do cotidiano

No ambiente de negócios, brincadeira também é coisa séria.  Os jogos de negócios fazem parte da estratégia de treinamento de muitas empresas, que procuram fugir os formatos tradicionais e tentam propiciar a seus colaborares treinamentos que ajudem a aprender mais rapidamente e a reter melhor o que foi ensinado.

Os jogos de negócios, ou business games, surgiram entre o final dos anos 1920 e o início da década de 1930 no Instituto de Engenharia e Economia de Leningrado (Rússia), tendo base nos jogos militares. O objetivo era treinar trabalhadores de lojas para posições de gerência.

De forma geral, eles têm a proposta de simular o mundo dos negócios por meio de situações que demonstrem a rotina administrativa das empresas, com a análise de comportamento dos consumidores e a estratégia adotada pelos concorrentes para se destacar no mercado. Os jogos têm utilidade no recrutamento de funcionários, treinamento, simulação de situações e avaliação do clima da empresa.

Em vez de ter um professor, existe um consultor, que passa os conceitos que precisam ser trabalhados durante a vivência, explica Mário Cunha, sócio-diretor da Academia de Marketing, que desenvolve esses "brinquedos" para empresas. Aprender de forma lúdica é uma opção interessante para aprimorar características como estratégia e liderança, diz ele, que também é professor de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap).

A consultoria RM&CA, localizada em Balneário Camboriú (SC), tem um Business Game desde 1997. Ele abrange os conceitos de volume de vendas e lucratividade, e deve ter sido jogado por mais de mil empresas, segundo cálculos de Roberto Machado, consultor da área contábil e proprietário da RM&CA. Cerca de 250 executivos da Renner utilizaram o método no ano passado, por exemplo. Em 1999, a ferramenta tornou-se online, e passa por atualizações sempre que necessário. A próxima versão deve entrar no ar em dois meses.

Jogo para lidar com a crise ¿ Composta por uma equipe multidisciplinar para desenvolver os jogos estratégicos ¿ um analista de mercado, uma psicóloga e um engenheiro ¿ a Academia de Marketing possui títulos como A Caçada, Black Diamond, SpaceCom e Action Now!, esse último bastante útil em períodos de agitação econômica. Por ter um alto grau de customização, é possível vivenciar a crise por meio de variáveis externas. Os executivos aprendem a lidar com as turbulências, diz Cunha.

Concebido em 2002 para uma convenção de vendas da empresa de logística DHL, o Action Now! se passa na ilha fictícia de Kantun, que tem idioma (kantunês) e moeda (kaktus) próprios. Uma grande empresa localizada na ilha foi privatizada e desmembrada. Os jogadores, divididos em equipes, têm o objetivo de valorizar as ações de sua empresa, aumentar o lucro e a participação de mercado.

Para dificultar, todas as empresas vendem o mesmo produto ou serviço chamado Nik (definido de acordo com o tipo de participantes). Eles recebem uma folha de tomada de decisões, estabelecem o preço do Nik, as regiões nas quais ele será vendido, as estratégias de promoção e a abordagem comercial - tudo com um orçamento anual de 10 mil kaktus.

A ação se desenrola durante um ano. Nesse período, exemplifica o professor, há empresas que quebram no meio do caminho, outras que vendem bem, mas não têm margem de lucro e por isso a ação não sobe. Ele menciona que, em geral, as equipes vencedoras são as que possuem jogadores arrojados e com talento para a inovação. É como acontece na vida real. Os participantes aprimoram a capacidade analítica, a visão estratégica e a leitura de cenários, ficam mais atentos a oportunidades, desenvolvem a inteligência de mercado e a tomada de decisões. E, por fim, aprender a gerir melhor o tempo.

O Action Now! já foi aplicado para estagiários, trainees e gerentes de mais de 100 empresas, como Amanco, Votorantim, Unibanco e Boehringer, Unibanco e Basf.

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