Em debate na ESPM, Roberto Luis Troster cobrou uma postura mais ativa do governo brasileiro e já vê impactos na indústria de exportação

Se o governo continuar com essa atitude reativa em relação à crise mundial, veremos uma grande queda no volume de empregos no País. Foi o que afirmou Roberto Luis Troster, ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), na manhã desta quinta-feira (9), em debate promovido na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) sobre as turbulências do mercado financeiro.

Na sua visão é preciso ter cuidado extra para os efeitos da crise que começarão a ser sentidos de perto nos próximos dias. O governo não está dando atenção para a urgência de medidas mais fortes.

A intervenção do Banco Central brasileiro na tentativa de evitar uma alta maior do dólar , segundo Troster, por enquanto, deve controlar a volatilidade da moeda americana. Mas não conseguirá frear os impactos futuros. Sobretudo a queda do Produto Interno Produto (PIB) a patamares bem menores do que os previstos no início do ano.

Troster acredita que o crédito no Brasil vai ficar mais caro sim e já vem afetando as empresas de médio porte. O preço das exportações está caindo tornando, assim, o câmbio mais forte e a taxa de juros mais alta, explica. Ou seja, com menos fluxo financeiro, o custo do crédito acaba aumentando.

Além disso, o ex-economista da Febraban prevê um recuo na indústria de exportação, afetada pelas oscilações do câmbio. Destacou os setores têxtil, de vestuário  e alimentação como os mais atingidos. A crise é real e se não abrirmos o olho, as empresas deixarão de contratar.

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