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Consultora diz que procura pelo Brasil cresceu após crise internacional

Os reflexos da crise internacional abriram os olhos dos executivos estrangeiros para outros mercados de trabalho além-mar. Um desses locais foi o Brasil. Segundo a consultoria GNext, especializada no recrutamento de executivos com alto potencial de desenvolvimento, o número de europeus que buscam trabalho no país cresceu consideravelmente.

Denise Barreto, sócia-diretora da GNext, comenta que antes, os estrangeiros que queriam vir para o Brasil eram latino-americanos e estudantes de Master in Business Administration (MBAs) que estavam se formando. Hoje são europeus, sobretudo espanhóis, que procuram saber como podem vir para cá, afirma.

Newton Campos, country manager para o Brasil do IE Business School, concorda e acrescenta que nunca tantos estrangeiros de países como França, Estados Unidos, Peru, Irlanda, Inglaterra, Alemanha e Índia contataram o escritório no Brasil perguntando sobre ofertas de trabalho por aqui.

Emergentes - Acho que o fato de o mundo desenvolvido estar em crise e o mundo emergente estar crescendo despertou esse interesse inicial. Ainda assim, o Brasil nunca inspirou confiança nos estrangeiros. Dessa vez, a convergência de fatores positivos como os grandes eventos da Copa do Mundo e das Olimpíadas, somados à estabilidade da economia e à arrecadação extra do pré-sal para os governos do futuro fizeram o Brasil apresentar um horizonte de estabilidade estrutural de médio prazo que atrai as pessoas, explica Campos.

Ele diz ainda que a questão cultural é outro grande atrativo do Brasil. Não apenas pela conhecida hospitalidade do brasileiro, mas porque as diferenças culturais propriamente ditas não são tão acentuadas quanto em países asiáticos como China, por exemplo.

Burocracia - Mas para vir trabalhar no país, não basta pegar a mala e entrar no avião. Segundo Denise, muitos estrangeiros ficam frustrados ao saberem da burocracia que é conseguir um visto de trabalho. Se ele não vem expatriado, dificilmente uma empresa assumirá o risco de contratá-lo porque esse processo demora uns quatro meses. Nesse tempo, a maioria das companhias prefere treinar e promover um executivo interno, explica.

Apesar desses entraves, Newton Campos diz acreditar que a competição dos executivos vai apertar, ainda que demore alguns anos. As empresas brasileiras não se deram conta que a educação no Brasil, em geral, é muito pior do que em grande parte dos países do mundo. Na média, um engenheiro alemão, russo, português ou mesmo argentino é muito mais bem formado do que um engenheiro brasileiro. Muito mais, infelizmente.

Internacionalização - Segundo a consultora, há grandes oportunidades para esse público em empresas que estão começando seu processo de internacionalização. Ela diz que esses estrangeiros trazem não apenas a bagagem cultural e o idioma fluente, mas, principalmente, o conhecimento do mercado do país onde vivem e toda uma rede de relacionamentos que poderá facilitar esse processo de internacionalização.

O francês Laurent Nibert, de 35 anos, conta que veio ao Brasil como expatriado. Casado com uma brasileira, ele comenta que sua transferência foi um pedido dele. Eu já conhecia o país e quando fiquei noivo já pedi minha mudança para a filial daqui. Se eles não me dessem a vaga, eu viria de qualquer jeito, e tentaria um cargo em outra empresa francesa. Acho que por eu ser nativo e conhecer bem o mercado europeu, não seria difícil conseguir outra colocação, afirma.

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