Programas de qualificação são alternativa para suprir escassez de mão-de-obra

O setor de petróleo continua a procurar profissionais qualificados, mesmo com a crise global. Dados do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natura (Prominp) mostram que a previsão inicial de preencher 260 mil vagas até 2012 poderá ser ampliada com a descoberta da camada pré-sal e a construção de novas refinarias.

No entanto, a falta de mão-de-obra qualificada tem sido o principal entrave para que os postos de trabalho sejam ocupados, de acordo com o headhunter Fabiano Kawano, da Robert Half, consultoria especializada no recrutamento de executivos para média gerência.
A saída para suprir esse gap tem sido a formação de gente capacitada, revela Ivan Costa, coordenador dos cursos de Ensino Superior do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), unidade de Macaé (RJ).

A demanda em alta tem levado a uma ampliação  do número de cursos de graduação no País. O Ministério da Educação registra 87 cursos de nível superior em petróleo, em instituições de ensino públicas e privadas. Eles estão divididos entre cursos de tecnologia, que formam tecnólogos, e de bacharelado, ligados a engenharia ou química de petróleo. A diferença entre a formação de tecnólogo e a de engenheiro é o nível de aprofundamento e a duração do curso.

Os tecnólogos atuam como gestores especializados em uma área de petróleo, explica Costa. São profissionais que trabalham focados em processos, como levantamentos sísmicos, operações em plataformas e manuseio de equipamentos em unidades de petróleo. Em muitos casos, os alunos que frequentam o curso de tecnólogo já estão nas empresas, atuando como técnicos em petróleo, e procuram uma qualificação adicional.

Em média, os programas têm duração de três anos, tempo menor do que se leva para conseguir o título de bacharel (entre quatro e cinco anos). A formação em Engenharia do Petróleo é mais minuciosa, envolve bastante conhecimento teórico e cálculo, conta Ricardo Cabral de Azevedo, professor do curso de Engenharia do Petróleo da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). É para quem gosta de trabalhar com tecnologia de ponta e pesquisa.

Os tecnólogos possuem mais restrições. Os profissionais não são aceitos nos concursos públicos para cargos de nível superior na Petrobras , por exemplo. Mas, desde a quebra do monopólio no setor, outras empresas se instalaram no mercado brasileiro, muitas vezes pagando salários mais altos do que os da estatal brasileira, como forma atrair os profissionais.

Prominp ¿ Desde 2003, o Ministério de Minas e Energia coordena o Prominp, com o objetivo de garantir a competitividade da indústria nacional de bens e serviços na implantação de projetos de petróleo e gás natural. Um de seus programas é o Plano Nacional de Qualificação Profissional, que oferece cursos gratuitos de formação de mão-de-obra para suprir a carência das empresas do setor. O plano previa a capacitação de 112 mil pessoas até 2012, mas o número deve ser ampliado, em função dos novos projetos de petróleo no país.

Os cursos (de nível básico, médio, técnico, superior e para inspetores) englobam 175 categorias profissionais e são realizados em parceria com instituições de ensino como os Cefets e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Os treinamentos acontecem em 17 estados do Brasil onde existem empreendimentos do setor de petróleo e gás natural com demanda de pessoal.

Para participar é preciso passar por seleção pública. Também são oferecidas bolsas-auxílio para os alunos desempregados (entre R$ 300 e R$ 900).

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