Cursos rápidos são alternativa para entrar no mercado de trabalho

Pesquisa aponta que chance de conseguir um emprego aumenta em 48%

Patrícia Lucena, iG São Paulo | 01/03/2011 05:58

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Os cursos profissionalizantes são uma alternativa para quem quer entrar mais rápido no mercado de trabalho. Principalmente para jovens que não têm condições financeiras para investir em uma faculdade de maior duração, essa pode ser uma solução. Além disso, proporcionam uma maior facilidade de conciliar o trabalho e estudo.

De um modo geral, há três modalidades de ensino que devem ser consideradas: cursos técnicos, faculdades tecnológicas e qualificação profissional - cursos de expansão voltados para capacitar o profissional em uma atividade específica.

Camilo Carvalho, diretor de marketing da Prepara Cursos, acredita que o crescimento dos cursos profissionalizantes se deu com o “apagão” da mão de obra. “As empresas estão com dificuldade de recrutar colaboradores qualificados”. Para ele, esses cursos são ideais para os jovens que ainda não têm experiência. “Eles têm a oportunidade de entrar no mercado de trabalho e ganhar experiência antes de se graduarem.”

Foto: Divulgação Ampliar

Cursos profissionalizantes viabilizam entrada mais rápida no mercado de trabalho

Segundo Rodrigo Losina, diretor-presidente da Alfamídia, a tendência é que aumente cada vez mais a presença desses cursos mais rápidos. Entretanto, Losina considera que esses cursos não substituem as faculdades, apenas viabilizam a entrada no mercado de trabalho. “Muitos jovens têm dúvidas em relação a que carreira seguir e acabam descobrindo apenas após os quatro anos de faculdade, quando entram no mercado de trabalho. Esses cursos também ajudam essas pessoas.”

Outro atrativo dos cursos profissionalizantes é o menor investimento. “Aqueles que têm dificuldade financeira para investir quatro anos em uma graduação têm a possibilidade de se profissionalizar com esses cursos mais rápidos”, afirma Carvalho.

Na opinião de Losina, com esses cursos a pessoa pode começar a trabalhar mais cedo e escolher com mais segurança sua carreira. “Como o tempo do curso é menor, o investimento é mais baixo. Com isso, a pessoa terá uma ideia clara do que é aquela área e ver se é isso que deseja para sua carreira.”

Isso não quer dizer que a lógica dos cursos mais longos não irá permanecer. “Para toda área de formação de pessoas que farão mestrado, doutorado ou pesquisas científicas é necessário uma graduação mais completa. Esse espaço existe e é fundamental para o crescimento do País. Com certeza, não será ocupado por cursos mais rápidos que têm o foco mais no mercado”, analisa Losina.

Atualmente a faculdade não é o principal diferencial para se conseguir um emprego, . na opinião de Losina, mas pode ser um fator determinante no crescimento profissional. “Se a pessoa não fizer uma graduação pode fechar algumas portas.” Por isso, a maioria daqueles que optam por cursos mais rápidos acabam completando a formação depois para ter uma base mais teórica.

Áreas

Atualmente o mercado está com uma carência enorme de mão de obra. Losina acredita que com isso começa a surgir um perfil profissional formado por aqueles que ainda não concluíram a faculdade. “Ele já tem um emprego antes mesmo de terminar a graduação.”

Foto: Divulgação / Nede Losina

Na opinião de Rodrigo Losina, cursos rápido ajudam na escolha da carreira

Os cursos profissionalizantes mais procurados são para as áreas de maior carência de mão de obra, como a de tecnologia da informação e exatas. “Principalmente em setores mais dinâmicos, como o de tecnologia, é bom ter algo a mais que complemente a formação tradicional”, acredita Losina.

Áreas que estão em alta, como açúcar e álcool, petróleo e gás, telemarketing e atendimento em vendas, têm contratado mais profissionais ainda não graduados, mas que tenham concluído cursos rápidos.

No entanto, segundo Losina, as vagas que mais englobam esses profissionais são as operacionais. Para cargos de coordenação, as empresas ainda exigem a graduação tradicional, de quatro anos ou mais.

Pesquisa

Uma pesquisa realizada pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pelo Instituto Votorantim em junho de 2010 mostra que a chance de jovens que fizeram cursos técnicos, tecnológicos ou de qualificação profissional de conseguirem trabalho é 48% maior do que pessoas sem este tipo de estudo. A oportunidade de ter um emprego com carteira assinada aumenta 38% para quem ter curso profissionalizante.

O levantamento utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2007 e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), entre 2002 e 2010.

Segundo dados da pesquisa, a proporção daqueles que declaram trabalhar após os cursos é 33% maior entre os tecnólogos com nível superior. Além disso, os salários são 12,94% maiores para aqueles com educação profissional.

As pessoas que frequentaram cursos profissionalizantes apresentam, em geral, melhores resultados no trabalho que os demais: uma taxa de ocupação de 71,6% contra 53,1% e um salário mensal médio de R$ 845 contra R$ 434. Há uma hierarquia de salários entre os diferentes níveis de educação profissionalizante: R$ 742 para qualificação profissional, R$ 1.258 para técnicos de Ensino Médio e R$ 2.680 para tecnólogos de nível superior.

A pesquisa concluiu que no total daqueles que fizeram cursos profissionalizantes, 62,58% trabalham na mesma área do curso.
 

Salários

Nível de educação profissional Salário em relação aos que não frequentam cursos
Graduação tecnológica 23,3% superior
Técnico de nível médio 15,1% superior
Qualificação profissional de 7,7% a 11,5% superior
Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

 

Principais setores

Setor de atividade % com educação profissional
Automobilística 45,71
Finanças 38,17
Petróleo e Gás 37,34
Papel e Celulose 37,03
Serviços Públicos 36,64
Indústrias em geral 36,17
Educação 34,55
Petroquímico 34,24
Indústria têxtil 28,35
Comércio e Serviços 27,17
Alimentos e Bebidas 27,11
Mineração 25,70
Transportes 23,93
Construção Civil 17,80
Outras 13,54
Agronegócio 7,02
CPS/FGV a partir de microdados do Pnad/IBGE

 

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    • Fonte: Thomson Reuters
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