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Carreiras
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Cresce a procura por caçadores de crimes digitais

Peritos são contratados para rastrear ladrões do ciberespaço

Andrea Giardino |

Há 13 anos, quando ficou conhecido por ter ajudado a desvendar um dos maiores casos de fraude do país, o do Banco Nacional ¿ que movimentou ilegalmente cerca de R$ 10 bilhões -, o bacharel em ciência da computação Paulo Quintiliano apostava em uma das carreiras mais promissoras do mercado, a de perito digital. Naquela época, ele tinha sido um dos primeiros a atuar na esfera pública em crimes virtuais e a fazer parte da divisão de perícia de informática da Polícia Federal.

Com a popularização da internet e a multiplicação de fraudes eletrônicas,  Quintiliano tornou-se espelho para muitos profissionais que querem ingressar na área. Atual chefe da divisão de perícias em informática da PF, ele ganhou notoriedade em junho de 2006, ao participar da megaoperação que visava desbancar uma rede de pedofilia pela internet.

Os hackers dão muito mais dor de cabeça aos bancos do que os ladrões, afirma Quintiliano. Por isso, nossa ação precisa ser rápida porque os cibercriminosos não deixam rastros por muito tempo e as provas podem ser deletadas. Ou seja, os peritos digitais são responsáveis por levantar as provas necessárias para colocar os "fraudadores virtuais" atrás das grades.

Formado também em direito, Quintiliano reconhece que a profissão torna-se ainda mais atraente na esfera pública pela remuneração. Quem ingressa por meio de concurso ¿ realizado uma vez por ano -, tem salário inicial de R$ 11 mil. Vale ressaltar que o número de vagas é pequeno. Este ano foram 36 para admissão imediata e 44 destinadas a cadastro reserva.

Para concorrer a uma vaga, a PF exige do candidato diploma de graduação em informática, entre outros pré-requisitos. Cabe às equipes produzir o grande volume de laudos técnicos - os quais comprovam crimes cibernéticos, fraudes on-line, extorsões e exploração de imagem de crianças e adolescentes. É preciso estar bem preparado, porque os cibercriminosos usam tecnologias bastante sofisticadas, diz Quintiliano.

Na esfera penal, o mercado também abre oportunidades de trabalho para os chamados peritos ad hoc. Eles participam de inquéritos policiais, sem vínculo com o Estado, designados pelo juiz que analisa o processo, exercendo um cargo de confiança. Na esfera cível, o profissional atua como assistente técnico das partes, responsável por acompanhar o processo e até contestar laudos.

De acordo com Guiliano Giova, presidente do Instituto Brasileiro de Peritos em Comércio Eletrônico e Telemática (IBP), estima-se que existam aproximadamente sete mil peritos digitais no país. A procura por esses profissionais tem crescido e vejo como uma das carreiras que mais prometem futuro, diz.

Demanda que tornou seus salários para lá de atraentes. A remuneração de quem exerce a atividade como especialista na esfera cível varia entre R$ 5 e R$ 12 mil por mês, de acordo com dados do IBP. Apesar de serem disputados, muitos nem possuem diploma de nível superior. Isso porque a profissão ainda não é regulamentada pelo MEC e, por ser recente no Brasil, não há cursos de graduação.  A única forma de se qualificar é por meio dos poucos cursos de especialização, oferecidos pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) e Fundação Getulio Vargas, ambas do Rio de Janeiro.

De olho no potencial de mercado, o administrador de empresas Ricardo Theil, resolveu apostar suas fichas na carreira de perito digital. No entanto, sua estratégia foi bem mais ousada. Em 2000, quando resolveu mergulhar na atividade, aproveitou sua veia empreendedora para montar uma empresa especializada na identificação de produtos piratas instalados nos computadores dos clientes. Com a evolução da internet, os problemas ganharam um novo escopo, exigindo do perito um perfil de análise e captação das provas eletrônicas, afirma.


 

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