Primeiro foi a vez dos profissionais que atuam diretamente nas obras - de pedreiros a engenheiros - se beneficiarem com o aquecimento do setor de construção civil. As oportunidades de emprego na área pipocaram e os salários subiram em média 10% em um ano.

Primeiro foi a vez dos profissionais que atuam diretamente nas obras - de pedreiros a engenheiros - se beneficiarem com o aquecimento do setor de construção civil. As oportunidades de emprego na área pipocaram e os salários subiram em média 10% em um ano. Agora, chegou a hora de uma segunda gama de trabalhadores surfar na onda do boom imobiliário. São arquitetos, paisagistas, decoradores, marceneiros, maqueteiros e toda sorte de profissionais que, embora não sejam funcionários das construtoras, fazem parte da cadeia produtiva que se movimenta à medida em que as empresas erguem edifícios na capital. E hoje em dia o que não falta em São Paulo são prédios novos. De acordo com a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), 6.193 imóveis ficaram prontos apenas no primeiro trimestre de 2010 - 96,4% a mais que no mesmo período do ano passado. "E, historicamente, a maior parte dos lançamentos ocorre no segundo semestre, o que indica que teremos um ano muito bom", explica Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, o Sindicato da Habitação. Empresas e profissionais autônomos já sentem os bons ventos. Para Damião Pereira, dono da Marcenaria Nicla, os negócios têm ido tão bem que o empresário já começa a recusar clientes. Acostumado a entregar no máximo seis trabalhos ao mês, ele dobrou a equipe para atender aos pedidos e ultimamente tem feito uma média de dez. Para não deixar ninguém insatisfeito e manter a qualidade, Pereira também passou a pedir um prazo maior aos clientes: 60 dias para entrega, ante 30 no passado. "O pessoal que me procura, em geral, é quem comprou apartamento novo", conta. A decoradora Rosângela Pimenta, dona da Estilo Próprio, conta que os pedidos aumentaram 30% desde janeiro. "Antes eu só atendia a classe A. Agora, com a economia em alta, a classe B também tem nos procurado, ainda que meus preços continuem os mesmos." Rosângela cobra cerca de R$ 140 mil para decorar um apartamento de 100 m² (com móveis e eletrodomésticos incluídos). Oportunidades na classe C Ainda que o cenário econômico seja positivo e que cerca de 2 milhões de pessoas tenham ascendido à classe C nos últimos cinco anos só na região metropolitana de São Paulo, quem costuma contratar os serviços de arquitetos, decoradores e marceneiros ainda são as pessoas da classe A e B. "Não adianta falar que o público de baixa renda gasta dinheiro com isso porque seria mentira. Eles recorrem mais a móveis prontos e decoram a casa por conta própria", afirma Rosângela. Para esses profissionais, portanto, o caminho obrigatório para atender as classes C e D é a parceria com as construtoras. A MRV, por exemplo, uma das construtoras que trabalham fortemente com as camadas mais populares, terceiriza toda a decoração dos apartamentos à venda, o paisagismo dos empreendimentos e a construção das maquetes. E embora tenha uma lista de fornecedores que trabalham para a empresa há anos, se diz "sempre disposta a ter novos parceiros". Há, portanto, oportunidades nesse nicho. Que o diga o arquiteto Ricardo Julião, que 40 anos iniciou sua carreira projetando residências de altíssimo padrão, e hoje já inclui em seu portfólio projetos de "edifícios residenciais econômicos". "A classe C tem os mesmos desejos do público de alta renda. Então, o segredo é conseguir desenhar um projeto que contemple essas vontades sem encarecer o valor do imóvel." Parceira profissional de Julião, a paisagista Claudia Souza Ramos, da empresa Eco Urbano, completa: "quem se adequar ao mercado e não aderir a modismos conquista seu espaço."

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