Companhias e funcionários podem atenuar as situações que desencadeiam o problema

Empresa contrata profissional capaz de lidar com situações de estresse elevado. Anúncios como esses não são novidade e dão a pista de que o escolhido vai ter de lidar com um grande volume de trabalho, pressões e cobranças excessivos. A conseqüência é o aumento significativo dos casos de estresse ocupacional. Em 1992, a Organização das Nações Unidas (ONU) chamou o estresse de a doença do século e, mais recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) descreveu o estresse como a maior epidemia mundial do século XX.

O estresse ocupacional é definido como a soma de respostas físicas e mentais, ou ainda reações fisiológicas que, quando intensificadas, transformam-se em reações emocionais negativas. Quando o ser humano está em um estado crônico de estresse ou sob ação de um estressor agudo, sua saúde física e mental sofre consideravelmente, explica Marilda Lipp, presidente da Associação Brasileira de Estresse e diretora do Centro Psicológico de Controle do Estresse.

Ela ressalta que o indivíduo estressado apresenta, principalmente, irritação, impaciência, dificuldades de se concentrar e de se relacionar, agressividade e falta de interesse. Mas vale frisar que o estresse, em doses moderadas, chega até a  ser importante na vida profissional - a ligeira ansiedade que ele produz garante desempenho adequado ao funcionamento das organizações.

Pesquisas divulgadas pelo Laboratório de Estudos Psicofisiológicos do Stress (Leps), da PUC-Campinas, em 2005, indicam índices preocupantes de estresse no Brasil: afeta 49% dos executivos e a faixa etária mais atingida está entre 35 e 44 anos, precisamente a que ocupa cargos gerenciais e de diretoria. Sem dúvida, o executivo está mais estressado hoje. A pressão por resultados e as metas cada vez mais apertadas são os principais elementos que desencadeiam esse processo, afirma Gutemberg Macedo, presidente da Gutemberg Consultores, empresa especializada em aconselhamento e recolocação profissional.

Administrar um negócio é muito mais complexo, já que o volume de informações é enorme e a rapidez com que elas chegam às pessoas também, destaca. Além disso, as empresas são rapidamente afetadas por informações que ocorrem em qualquer parte do mundo, como uma queda na bolsa de valores, diz Gutemberg.

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