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A difícil tarefa de lidar com a Geração Y

Ex-presidente da Ernst & Young Julio Cardozo fala sobre a missão das empresas em entender a turma dos que querem ser desafiados constantemente

Andrea Giardino |

Muito tem se falado na Geração Y, formada por pessoas nascidas a partir de 1980 e que já começa a invadir o mercado de trabalho. Eles são jovens, criativos, espertos, ousados e ávidos por aprender. Desafiam regras e desprezam hierarquia. Têm pressa em ascender na empresa e na carreira. E ficam frustrados se não são promovidos rapidamente.

Pouco fiéis à empresa em que trabalham, não hesitam em ir embora caso seus objetivos não sejam correspondidos. Também não esperam permanecer no mesmo emprego por muito tempo. Mas da mesma forma como sua criatividade e agilidade de raciocínio são valorizadas pelos mais velhos, sua impaciência vem provocando conflitos no mundo corporativo.

Precisamos ficar atentos, porque essa é uma geração muito diferente daquela que veio antes, a geração X, entre 35 e 45 anos, alerta Julio Sergio Cardozo, Chief Executive Officer (CEO) da Julio Sergio Cardozo & Associados, empresa de consultoria especializada em gestão e carreira. Na sua opinião, o grande dilema das empresas continua sendo lidar com a diversidade de gerações. Principalmente, quando a área de recursos humanos ainda adota políticas pasteurizadas, iguais para todos.

Ou seja, desconsideram as diferenças de objetivos que cada uma das gerações possui. Como então dividir espaços com os Baby-Boomers - nascidos entre 1946 a 1964 - e a Geração X - 1965 a 1977? Este não é apenas um desafio individual, mas principalmente do RH. Para falar sobre os conflitos entre as gerações, Cardozo abriu as portas de seu escritório, em São Paulo, para conversar com nossa reportagem.

Ex-presidente da Ernst&Young para América do Sul ¿ uma das maiores empresas de auditoria do mundo - e retrato da Geração Baby Boomer-, o consultor sabe muito bem a dificuldade de lidar com esse choque de gerações. Leia abaixo trechos da entrevista exclusiva concedida ao iG :

iG - Qual o desafio das empresas ao se deparar com gerações tão diferentes?
Julio Cardozo ¿
Dificilmente nos deparamos com uma área de RH que enxergue os valores e as expectativas, bastante distintas, das gerações encontradas nas companhias. Por essa razão, os conflitos internos passaram a ser recorrentes nas empresas e transformaram-se em uma verdadeira dor de cabeça para os líderes.
Agora tanto a Geração dos Baby Boomers quanto a Geração X dividem espaço com recém-formados, de 20 e poucos anos. Reconheço que não é fácil lidar com essa turma cheia de vigor e energia, armada com diplomas de MBA, fluentes em dois ou mais idiomas e que perseguem os melhores cargos. Diferentemente das antigas gerações, que em grande parte estavam acostumadas a revisões anuais de suas ações, a Geração Y vem prosperando mais rapidamente porque exige constantes feedbacks.

iG - E como os Baby Boomers vêm lidando com isso?
Cardozo ¿
Estão tentando se adaptar. Imagine pessoas com 60 anos passando a trabalhar ao lado de pessoas de 20 anos, super preparadas? Ainda mais quando esse grupo, dos nascidos após a Segunda Guerra Mundial, sempre ter sido obcecado pelo trabalho, em detrimento à vida familiar. Hoje, o encontramos no topo das organizações, preparando-se para passar o bastão à Geração X, que tem idade entre 30 e 45 anos. Complicado acompanhar e aceitar a visão imediatista destes jovens, que buscam respostas apenas para o mundo que estão vivendo hoje. Até mesmo por isso, eles não costumam preocupar-se com os próximos anos. Eles não planejam o futuro. Na visão deles, talvez este futuro traçado agora nem aconteça. Uma verdadeira mudança de valores.

iG ¿ Qual a saída, então?
Cardozo -
Para aproveitar as qualidades da Geração Y, os mais velhos terão de lidar primeiro com alguns atritos, como entradas repentinas na sala, ligações diretas no ramal ou no celular e cobranças por respostas às suas demandas. Embora essa geração não aceite bem a autoridade imposta, ela gosta de escolher modelos para seguir. Conversar, envolvê-los no negócio e apresentar desafios pode fazer a diferença.

iG - De que forma o RH pode se preparar para evitar um choque entre os diversos perfis?
Cardozo ¿
Veja bem. É natural existir um choque entre as gerações mais antigas e as mais novas. O que não se pode aceitar é fazer de conta que essas diferenças não existem. Vou mais além. Não saber identificar o que estimula a geração do novo século e todas as outras que convivem entre si nas organizações é um erro que as empresas vão pagar caro na disputa por talentos. Sem dúvida alguma, o problema da atração e retenção de talentos está diretamente ligado a falta de uma visão mais inteligente do RH em não apenas administrar o choque de gerações dentro do ambiente corporativo como entender o que cada uma de fato quer. Não podemos esquecer que a distância entre uma geração e outra vem diminuindo de forma acelerada, ao mesmo tempo em que as diferenças entre elas se acentuam. Embora as organizações afirmem estar preocupadas em atrair e reter os melhores profissionais, elas esquecem que olhar todo mundo da mesma forma, sob o mesmo prisma, é um passo para deixá-los ir embora.

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